sexta-feira, 26 de março de 2010

CRÔNICA -- Meias palavras

“To a fim de vc”, “olha que coisa + linda”, “vc ed +” mensagens como essas invadem diariamente o correio eletrônico dos computadores. Mexem com a vaidade das pessoas e aguçam uma curiosidade que está sempre presente e inteira em qualquer um de nós. A curiosidade faz parte do ser humano e é ela que nos leva a aprender e perceber a vida. O resultado da curiosidade via informática é que, apesar dos fundamentais alertas, muitos internautas ainda abrem todo tipo de mensagens e acabam entregando informações que em hipótese alguma devem ser enviadas para ninguém.
A informática nos tem proporcionado avanços, contatos e “viagens” maravilhosas, mas acabou por transformar-se também em uma moderna e perigosa arma nas mãos de pessoas inescrupulosas. As salas de bate papo (é estranho chamar de papo um diálogo mal escrito e trocado entre pessoas que nem se conhecem). É verdade que essas salas de, digamos, encontros virtuais mexem com a solidão, a curiosidade e o desejo cada vez maior de conhecer gente nova, mas é preciso estar atento: bater papo não é exatamente conversar por escrito e com uma estranha linguagem que a Internet tem imposto aos usuários. Tem muita gente que se recusa a usar esse tipo de linguagem. É preciso fazer economia, sim, mas não de letras. Nem de palavras.
Reportagem no “Fantástico” no quadro “Profissão repórter” (por falar nisso repórter não é profissão, é uma categoria do jornalismo, essa sim um bela e gostosa profissão) nos fez um importante alerta. Outros mais precisam ser feitos. Afinal, a mesma Internet que no coloca rapidamente no mundo e nos enche de informações pode nos prejudicar muito se não aprendermos a usar a máquina e não permitir que nos transformemos apenas em mais um botão dessa máquina – um botão que muita gente tem feito de tudo para manipular e prejudicar.
Não sou, confesso, um entusiasmado pela era da informática, mas não deixo de reconhecer sua importância, as facilidades que nos proporciona e os cada vez maiores perigos a que nos submete. Para mim computador é uma máquina de escrever melhorada e um correio que faz meus recados, meus pedidos, minhas “palavras” chegarem a tempo e rapidamente. Aprendi a não me deixar levar pela curiosidade, pelo menos em relação a Internet e a não abrir mensagens de quem não conheço,mesmo que me ofereçam mundos e fundos. Já sei e espero que todos saibam cada vez mais que se faz fundamental tomar cuidado com a máquina. Ela pode te engolir quando manipulada erradamente pelo homem.Salas de bate papo não me atraem: não tem sentido “conversar” sem olhar olho no olho, sem tentar reconhecer no olhar de cada um a emoção. Pessoas virtuais podem ser, mesmo economizando palavras e inventando emoções, fascinantes, mas ainda prefiro as pessoas de carne e osso.
* Mesmo que às vezes elas também representem um perigo

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