sábado, 6 de março de 2010

CRÔNICA - De volta para o futuro

Quando ela abriu a porta da cobertura em que mora e trabalha o sol que naquele fim de tarde já ameaçava esconder-se voltou a brilhar intensamente naqueles olhos de um doce mel esverdeado. Era como se o sol, a vida e a esperança voltassem a sorrir, através daquele sorriso. Naquela tarde entendi muitas coisas. Tinham sido dias difíceis para mim e até reencontrar aquele sorriso eu parecia um morto-vivo mais morto do que vivo. Entendi finalmente que é impossível viver sem esperança e principalmente sem amor. Egoisticamente eu era o objeto da minha própria preocupação, mas isso não me impediu de, de repente refletir no plural e pensar no coletivo, o que anda raro nesse mundo em que cada um só pensa no seu próprio bem estar, mesmo que para isso tenha que esquecer que a vida só tem graça porque tem outras vidas a cercá-la. Ficou e continua forte em mim a certeza de que o brasileiro tem feito da esperança o seu principal alimento, a sua fonte de, mesmo inconscientemente, saber e viver. Não existe “tempo ruim” para o brasileiro sempre sorridente - sorrindo aquele sorriso que diz “amanhã é outro dia e as coisas melhoram”. Repare no povo que anda apressado nas ruas, apertado nos trens e nos ônibus, humilhado nos supermercados onde o máximo que consegue (quando consegue...) comprar é a cesta básica, que agora inclui (até quando?) inclusive um franguinho. Repare como esse povo está sempre sorrindo e cantando - cantando o canto da esperança. O brasileiro nunca é um morto vivo. Está vivo, inteiro e cada vez mais feliz, mesmo que ninguém contribua para essa felicidade. O brasileiro tem a fantástica capacidade de buscar a felicidade que cada um tem dentro de si. E é essa, acredite, a felicidade verdadeira, a única inteiramente inteira. Procure encontrar a sua para descobrir que ela existe.
Essa reflexão de apenas alguns segundos, mas que deveria estar presente em todos nós todo o tempo, percorreu minha cabeça e meu coração naquele fim de tarde quando covardemente eu já acreditava que morrer era melhor. Burrice: morrer é fácil. Viver intensa e verdadeiramente é que é o difícil desafio de ser e não simplesmente de passar pela vida apenas contando tempo, como muita gente costuma fazer porque ainda não descobriu que sobreviver e enganar a morte todo o tempo, é diferente, muito diferente do que viver. Viver é ir a luta, perder o medo e jamais deixar de ter, como a maioria dos sacrificados brasileiros, esperança e amor. Naquela tarde em que o sol, voltou a brilhar e para mim. Ainda brilha mesmo na escuridão da noite. É preciso descobrir que não existe vida sem amor. O amor nas várias formas de amor que a vida tem pra nos dar tem que estar presente em tudo e em todos. É através dele que renasce a vida, a esperança, a certeza de que o futuro pode ser (e será) sempre melhor. Descubra o amor, a esperança, a vida no sorriso dos outros. Amor e a esperança andam lado a lado e são fundamentais. Assim é possível reencontrar a certeza de futuro, de amor, de vida. Esperança, vida, amor e futuro estão dentro de você, mas para descobrir isso é preciso, às vezes, olhar para frente e para os lados. Talvez tudo o que você procura esteja no sorriso que sorri ao seu lado e que, por medo, você não percebe. Perceba e viva. Viver é, mesmo nos momentos mais difíceis, muito bom.

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