quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

CRÔNICA ----- Maioria menor

Um novo ano está começando e pelo menos uma coisa continua a mesma: nas ruas, nos botequins, em casa, no trabalho, em qualquer lugar o assunto principal de todas as conversas ainda é a violência que mesmo menor ainda nos faz que nos faz reféns sem esperança de que acabará com a chegada de um novo ano. A violência não está no fim. Nós sim se não tomarmos cuidado.
Você entra num táxi e de cara o também apavorado motorista puxa o assunto para contar que em tais e tais ruas os assaltos ainda se repetem. Você liga o rádio ou a televisão e lá está a violência em notícias que ocupam cada vez maior espaço no mais nobre dos horários. A violência ganhou uma presença tão intensa (até porque ela, a violência, também é intensa) na mídia deixando-nos mais assustados. Todo mundo fala em violência (cada um de nós tem um ou mais casos para contar), mas ninguém fala em alternativas para acabar com o sufoco que ainda é andar nas ruas, ir ao banco, sair a noite para passear e até simplesmente ficar em casa.
Quando crianças nos ensinam que a maioria sempre vence, que a maioria é mais poderosa. Como tantas outras essa verdade também virou uma grande mentira: não são dados oficiais, mas é possível calcular timidamente que o Rio deve ter uns dez mil (talvez pouco mais) traficantes. Pois é essa absurda minoria que continua tentando sufocar a maioria de sete milhões de habitantes. Formamos agora uma maioria que se fez estranhamente menor e que nem tem mais como reagir a nada e muito menos acreditar em ninguém.
A violência está em todas as partes, em todas as esquinas, em todos os medos. O medo da violência pode ser mais cruel do que a própria, já que modifica o comportamento, limita os sonhos, deixa menos intensa e feliz nossas vidas. Há dias um amigo foi assaltado no ainda claro final da tarde na movimentada Copacabana. Ia buscar o filho no colégio. Quase não chega. Podia ter morrido e confessa que os momentos mais cruéis do assalto foram pensar no filho que o esperava e que poderia continuar esperando para sempre.
Diante de tudo o que acontece é inevitável que a violência seja o foco de qualquer conversa. As pessoas falam - e falam demais- na tentativa de livrar-se do medo, de desabafar. Não estamos sem assunto (assuntos não faltam) especialmente nesse de início de ano, de novas perspectivas, de pensar e desejar de verdade e intensamente a paz, a violência se faz paz presente e toma conta de tudo. Falar parece ser só o que nos resta. Mesmo que a esperança de ver a violência acabar seja cada vez menor. (Eli Halfoun)

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