Não sei se devemos perceber a nova atitude da maioria das farmácias como um gesto de solidariedade ou se é apenas mais uma decisão tomada apenas pela necessidade de vender mais remédios. Os medicamentos ficam cada vez mais distantes do poder aquisitivo desse arrochado e doente cidadão de um país que tem a saúde pública tão ou mais doente do que a maioria da população - população que de hospitais públicos e de remédios, mas não os tem.
Diante disso acabamos todos (evidentemente só os que, com muito sacrifício, ainda podem pagar) escravos dos também abusivos planos de saúde e das farmácias que nos vendem remédios (remédios deviam ser gratuitos) com um absurdo apetite comercial. Muitos pacientes estão apelando para as farmácias de manipulação nas quais os medicamentos são muito mais baratos, mas nem sempre confiáveis. As farmácias tentam aumentar suas vendas aceitando cheques pré-datados, cartões de crédito, tentando facilitar e vender de todas as maneiras.
Essa tem sido numa prática comum no comércio que faz de tudo para ter mais lucros e desencalhar mercadorias que o povo não pode mais comprar. O que chama atenção na conduta das farmácias que sempre pensaram muito mais em lucros do que em auxiliar a quem está doente (afinal, essa deveria ser uma obrigação do Estado) é a mudança de conduta: sabe-se que muitas farmácias estão sendo orientadas a não reapresentar cheques sem fundos sem antes saber do consumidor, que certamente passou o cheque ao necessitar de um medicamento inadiável, quando e como terá condições de pagar.
É difícil acreditar que as farmácias tenham deixado de pensar somente em lucros abusivos, mas tomar conhecimento de uma maior compreensão e de ajuda ao consumidor é muito saudável. Facilitando a vida de quem precisa de remédios e não pode pagar imediatamente as farmácias, que são acima de tudo um estabelecimento comercial, acabam prestando um serviço social e transformando os pedidos de medicamentos em verdadeiras receitas de amor.
* Como deveriam ser todas as receitas da vida. E de vida
quinta-feira, 6 de maio de 2010
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