Toda hora a gente recebe via correio eletrônico dezenas de mensagens que geralmente pouco ou nada nos interessam, mas elas, estão lá, teimosas, todos os dias. As pessoas e as empresas se apropriam de nossos e-mails como se eles fossem de uso público. Geralmente chegam mensagens de pessoas que você nem conhece, de empresas tentando vender produtos ou a esperança de uma nova e boa oportunidade de emprego, brincadeiras idiotas e piadas mais ainda. Enfim, tem de tudo. As mensagens que você não faz a menor questão de receber estão sempre lá e as que você realmente espera nunca chegam.
O resultado é que a gente acaba “deletando” tudo sem nem mesmo, na maioria das vezes, dar uma lida, rápida que seja. Há dias um e-mail não me surpreendeu – e certamente não surpreenderia qualquer pessoa nos cruéis dias de hoje – mas me chamou atenção. Uma jovem de 23 anos escreveu para comentar reportagem publicada em revista semanal popular sobre o envolvimento de artistas com drogas, o que ninguém prova, mas todo mundo sabe e comenta. O relato da moça, que assinou o e-mail mas nem por isso vou expor seu nome publicamente, é contundente sobre o efeito destruidor, em todos os sentidos, das drogas, sejam quais forem.
O que mais me chamou a atenção foi o fato da moça assumir que é “completamente viciada” (todo dependente químico faz questão de negar, até para si mesmo, que é viciado) e fazer uma revelação que também não chega a ser rara no mundo feito de pó. E de dor.
Dependente de cocaína desde os 14 anos quando começou, na época inocentemente, a consumir, hoje a jovem está casada... com um traficante. Foi, confessa, a maneira que conseguiu para garantir o pó de cada dia. É consciente da destruição que cometeu em sua vida e que, como ela, todos os dependentes acabarão, mais dia menos dia, numa vala comum. A revelação não é nova: quem acompanha o noticiário diário e cada vez mais policial, sabe que não são poucas as jovens (bonitas até) de classe média e alta que acabam envolvidas sexualmente com traficantes, não por amor ou curiosidade, mas por uma necessidade incontrolável da droga diária.. Conseguem a droga em dobro: a que cheiram de graça e a que pagam caro para viver uma união sem amor (sem amor nada funciona ou tem graça), sem perspectivas, sem esperança. Sem vida
Por questões profissionais já ouvi dezenas de depoimentos de dependentes (todos eles acham, como qualquer viciado, que podem largar o pó ou seja lá o que for, na hora que quiserem, assim como todo o alcoólatra nunca admite ser dependente da também droga permitida que é a bebida). Desabafos de pais de dependentes químicos são carregados de angústia, de falta de esperança, de medo. Os pais estão, mesmo sem cheirar, morrendo junto com os filhos e enquanto não morrem (já estão praticamente mortos) são vítimas dos próprios filhos que os enganam, os roubam e os agridem fisicamente, tudo para conseguir o dinheiro que vira pó É dolorido ouvir depoimentos de dependentes e de seus familiares (todos com as famílias já destruídas). As drogas estão levando nossos filhos.
* Muitas vezes para sempre
terça-feira, 4 de maio de 2010
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