terça-feira, 5 de julho de 2011
Pense bem na hora de escolher o nome de seu filho
É verdade que o Congresso tem vários projetos importantes para colocar em votação, mas há também alguns aparentemente sem grande importância, mas que merecem ser vistos com urgência (se bem que urgência por lá só na hora de votar os próprios aumentos). Um dos projetos em discussão é o que aprova a lei proibindo que os pais coloquem nomes estranhos e esquisitos em seus filhos. A princípio pode parecer uma imposição antidemocrática de proibir os pais de exercerem a liberdade de dar aos filhos os nomes que bem entenderem. Não é não: é apenas uma maneira de colocar o bom senso em prática na hora de registrar os recém nascidos. Convenhamos que não são poucos os paios que acham a escolha do nome do filho um ato divertido esquecendo-se que o nome será carregado a vida inteira e muitas vezes com extrema vergonha. Qualquer um de nós certamente conhece alguém que se apavora cada vez que é obrigado a ouvir seu nome gritado em uma fila: na gora que seu nome é dito em voz alta disfarçar de todas as maneiras e só falta abrir um buraco no chão para enfiar-se nele. Nomes próprios são a identidade que o cidadão carregará a vida inteira e do qual jamais deve envergonhar-se, mas não é o que acontece quando alguém se chama, por exemplo, Tazmania, Zóia, Gasogênia, Tibúrcio, Petrucio ou coisas parecidas, incluindo nomes de super heróis. Fazer com que os pais tenham o cuidado de escolher os nomes dos filhos é uma medida que pode parecer estranha agora, mas que certamente nada terá de estranho no futuro para a criança que por força da lei, se livrou de uma “maluquice nominal”. O resultado é que o cidadão deixa de ter nome e passa a ter apelido. Convivi com dois jornalistas e amigos que carregaram nomes dos quais, apesar de excelentes e bem sucedidos profissionais não tinham nenhum orgulho. O jornalista Eustórgio Carvalho, por exemplo, virou Mister Eco e mais tarde Thor Carvalho, porque ser simplesmente ser um Eustórgio qualquer o matava de vergonha. O também jornalista e cineasta Pretextato Taborda só assinava seus textos como Tato Taborda, mas mesmo assim não livrou seu filho de carregar o nome do qual ele nunca se orgulhou. Quando o menino nasceu ele chegou à redação e anunciou que acabara de registrar o menino com o nome de Pretextato Taborda Jr. Perguntou o que os colegas achavam. A resposta de reprovação foi uníssona como se todos quisessem dizer em coro “você fez uma grande sacanagem com o menino”. É esse tipo de sacanagem irresponsável que a lei quer e pode evitar. Afinal, ninguém merece ser um Eustórgio ou um Ariclenes (caso do ator Lima Duarte) ou Pelópidas (como era Paulo Gracindo) a vida inteira. Dificilmente essa lei, se aprovada, vai pegar, mas mesmo que não pegue servirá para fazer com que pelo menos os pais pensem bastante antes de brincar de registrar os filhos com nome esquisitos. (Eli Halfoun)
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