Não só nas páginas de noticiário que os jornais nos surpreendem diariamente com novos escândalos, novas falcatruas, dezenas de mentiras e de declarações políticas de um cinismo assustador. Todo dia tem uma escandalosa novidade. Nada de muito estranho num país que parece ter se acostumado a conviver com escândalos políticos e que tem uma estranhíssima forma de agir no seu dia a dia. Basta abrir as páginas de anúncios classificados para descobrir que essa estranha forma de agir está presente em quase tudo. São, por exemplo, dezenas as ofertas de “dinheiro fácil”(nem tão fácil assim porque cobram juros absurdamente fora da realidade, aproveitando-se vergonhosamente da necessidade do, digamos, consumidor ( mas tudo bem que essa é a “regra” do jogo e entra no jogo quem quer). Mas vejam só como o “jogo” pode também ser fraudado. Entre as muitas ofertas financeiras um determinado banco anuncia que basta ter um talão de cheque de qualquer banco para conseguir empréstimo. Pura mentira: quem liga para o tal banco fica sabendo de saída que é preciso, em primeiro lugar, ter contracheque da empresa da qual é empregado. Autônomo não serve, pequena empresa também não, o que elimina de saída a validade de qualquer nota fiscal legal. Na mesma página um pequeno anúncio oferece, por um preço módico, contra cheques para se conseguir qualquer empréstimo. São contra cheques falsos mas “garantidos”. Resultado: quem está legalmente estabelecido com nota fiscal, CGC e tudo mais que a lei exige não tem acesso aos empréstimos, mas quem se dispõe a exibir um contra cheque falso é muito bem vindo na instituição financeira, que, de uma forma ou de outra, acaba obrigando o consumidor a cometer um ato desonesto., que, convenhamos, parece ser uma espécie de regra geral do país. Esse não é o único e estranho exemplo que os anúncios classificados nos dão diariamente. Tem de tudo nessas pequenas ofertas. Quem, por exemplo, quiser alugar um apartamento e se dispuser a pagar um depósito dificilmente conseguirá o imóvel, mas se esse mesmo pretendente a inquilino “comprar” um dos muitos fiadores “garantidos” oferecidos nas mesmas páginas das ofertas imobiliárias provavelmente conseguirá o imóvel que deseja.
Se você, leitor, é jovem e está procurando emprego perca as esperanças. Nesse estranho país só serve (os anúncios deixam essa exigência bem clara) quem tiver experiência. Mas como adquirir experiência se não se tem a oportunidade de buscá-la através do trabalho? E, paradoxalmente, se você já tem experiência demais, também não serve porque “está velho” e nesse caso é melhor nem sair de casa.
Uma rápida “viagem” através dos anúncios classificados permitirá que se conheça o quanto é estranho esse país que, por isso mesmo, não surpreende com mais nada e deixa cada vez mais forte a pergunta que o grupo musical Ultraje a Rigor faz em ritmo de rock : afinal, que país é esse?
MUITO ALÉM DA
FICÇÃO SEXUAL
Se existe um negócio que não para literalmente de crescer é o da chamada indústria do sexo que, aliás, está cada vez mais ousada e, digamos, liberal. Agora mesmo, por exemplo, paulistas e visitantes estão assistindo ao Festival Mix Brasil (espera público superior a 24 mil pessoas) com a exibição de 104 novos filmes sobre diversidade sexual. Apesar da liberdade sexual conquistada nos últimos anos quando muita gente “saiu do armário”, ainda há temas que ruborizam e criam protestos quando exibem e superam os assuntos ainda considerados tabus. Exemplos: em um dos filmes do novo Festival Mix dois irmão gays tem um caso; em outro filme três atletas de nado sincronizado da França vivem felizes e satisfeitos e no mais polêmico é mostrado o relacionamento entre um rabino e um de seus discípulos, tema que a comunidade judaica ortodoxa, classificou como "ficção científica”. Sei não, mas do jeito que caminham as coisas a realidade anda muito mais surpreendente do que qualquer ficção científica. Em todos os setores.
CARTILHA PREVINE
ASSALTO EM CARROS
No começo andar de carro era um prazer; depois virou uma necessidade imposta pelo corre-corre diário. Agora é um perigo: o constante número de assaltos a motoristas nos sinais de trânsito ou ruas desertas e movimentadas ou criou uma cartilha de prevenção.
Como acontece com as doenças é preciso seguir normas para evitar maiores consequências. Andar de carro virou um problema de saúde. De vida. Para especialistas a medida mais segura na guerra urbana que vivenciamos é se “policiar” para diminuir a possibilidade de ser alvo de uma ação criminosa. De carro ou a pé é fundamental evitar o elemento surpresa e por isso mesmo uma das orientações é não usar o celular no carro com os vidros abertos.
Para sair de casa e enfrentar a guerra urbana que por falta de policiamento se instalou no desgovernado estado que adota como política de segurança apenas a invasão das favelas, todo cuidado é pouco. Para sair de carro não basta aprender a dirigir. É preciso aprender também a proteger-se de assaltos nos sinais de trânsito. Exemplo: diminua a velocidade antes do sinal vermelho já que normalmente o assalto ocorre quando o veículo pára ou diminui a velocidade.
Outros cuidados são necessários. Anote:
1) evite permanecer dentro do carro estacionado o parado na rua, principalmente à noite;
2) mantenha os vidros fechados e portas travadas quando estiver dirigindo;
3) ajuste os retrovisores e fique atento no entorno do veículo;
4) nunca deixe objetos de valor e bolsas expostos no interior do veículo;
5) evite trafegar em ruas com pouco movimento;
6) informe-se sobre trajetos alternativos e pontos de apoio (delegacias, quartéis, patrulhas);
7) se achar que está sendo seguido busque ruas e avenidas com trânsito intenso;
8) desconfie de motoqueiros com caronas e mantenha distância do veículo à frente para caso de uma manobra de fuga;
9) ao parar nos sinais evite a primeira fila e as laterais, que são mais visados pelos assaltantes.
Enquanto as autoridades não garantem à população a tranquilidade pela qual paga, telefones de emergência são úteis no Rio: Linha Amarela - 0800242355, Linha vermelha - – 2584-4245, Avenida Brasil, Auto-estrada Lagoa-Barra, Túneis Rebouças e Santa Bárbara, Mergulhão da Praça XV e Avenida Brasil - 2527-2560.
O pior é que os assaltos acontecem na cara das pessoas que nem se surpreendem porque já acreditam que são inevitáveis. Isso também precisa mudar: a minoria não pode continuar vencendo a maioria.
HAJA PACIÊNCIA:
CELEBRIDADES CANSAM
A televisão até já se acostumou com isso: todo ano aparece alguém dizendo que s novelas vão acabar e estão com os dias contados porque o telespectador cansou do gênero. Todo ano as novelas batem recordes de audiência e provam que estão longe de não mais serem produzidas. O novo “prato do dia” dos pessimistas adivinhos de plantão são as chamadas revistas de celebridades que já enfrentam um “período agonizante”, inclusive nos Estados Unidos, onde a revista Wallpaper, que era um dos símbolos mundiais da mídia no segmento dedicado a celebridades e vizinhança, estaria contando os dias para deixar de circular. A última edição da Wallpaper tem uma capa dedicada ao Brazil (eles insistem em escrever com Z) com uma pequena reportagem indicando lugares considerados transados em São Paulo, no Rio e outros restados. Para conquistar leitores de outros países a capa é rotativa: em cada lugar estampa o nome do país em letras imensas. A edição que muitos consideram a de despedida tem 1/3 de anúncios que tinha habitualmente. A crise estaria atingindo também as editorialmente poderosas Glamour e Gentlemen’s Quarteley. Há quem acredite que é apenas um sufoco passageiro e não exatamente porque o público cansou das revistas, mas sim das repetitivas e chatíssimas celebridades que nada tem a dizer e acrescentar. Lá como aqui.
QUE TAL UM
SAPO BARBUDO
Não há qualquer exagero quando se diz que o Rio é uma festa: está virando um verdadeiro carnaval a escolha daquele que será o nosso símbolo da Olimpíada 2016. Depois da sugestão de adotar o personagem Zé Carioca, dos estúdios Disney, caiu uma chuva de “idéias”: há quem defenda que o símbolo ideal é o Saci Pererê, a criação de Ziraldo considerada brincalhona e que por isso mesmo reflete o humor do brasileiro. Outro grupo briga para a escolha do Pelezinho, o personagem criado por Maurício de Souza. Ninguém fala em criar nada o que, convenhamos, é um desperdício em um país de tantos e competentes artistas gráficos e plásticos. Há quem garanta que em matéria de Olimpíada o Pelezinho está fora do páreo porque poderá ser mascote da Copa do Mundo de 2014. Já o Saci Pererê de Ziraldo leva a desvantagem de estar sendo utilizado como mascote don Sport Club Internacional, do Rio Grande do Sul, do Social F.C. do interior de Minas e do Sergipe F.C. e ainda como símbolo da cidade de Botucatu, interior de São Paulo. Se bobear o Rio acaba adotando (só para fazer ”média”) um sapo barbudo como símbolo da Olimpíada.
NUDEZ COM
CURRÍCULO
Era de se esperar: a estudante Geisy Arruda, que criou fama (mas não deitou na cama...) está na mira da revista Playboy e as negociações começaram (na Playboy é tudo na base do quem dá mais). Embora tenha abundância mais do que suficiente para ocupar até página dupla a revista não a quer sozinha no ensaio fotográfico. A idéia de Edson Aran, o competente diretor da revista, é reunir diversas estudantes universitárias, incluindo as que participaram com o corpo nu de recente protesto realizado em Brasília (tomara que a moda não pegue: a possibilidade de ver senadores, deputados e ministros nus com a mão no bolso – no bolso dos outros, é claro - é trágica). Alunas da Uniban também estão sendo convidadas até porque todo dia a publicação recebe fotos de universitárias candidatando-se a ser uma das playmate da revista. Geisy Vestidinho Arruda ainda não disse se aceita a empreitada, mas está certa de que se o fizer a revista esgotará nas bancas em torno da faculdade da qual voltou a ser aluna, agora famosa (por pouco tempo, é verdade) por conta do machismo de alguns e de um vestidinho que não ganharia nem foto 3 X 4 em qualquer revista de moda ou erótica.
SARNEY SEM ATO
SECRETO. QUEM DIRIA!
Parece inacreditável, mas dessa vez não foi necessário nenhum ato secreto para que o senador José Sarney decidir o destino do acervo da Fundação José Sarney que como muitas outras coisas, fechou as portas por falta de patrocínio e sem apoio (ou seja, grana) é, segundo o senador, “impossível mantê-la em funcionamento”. Nem com todo o seu hoje tanto prestígio o senador conseguiu mexer seus pauzinhos, que é, convenhamos, uma prática muito comum no Brasil. Fechou a Fundação e enviará todo o material para a Fundação Getulio Vargas, no Rio, onde já estão os acervos de Getúlio Vargas, Café Filho, João Goulart, Ernesto Geisel e Tancredo Neves. No “pacote” enviado por Sarney estão documentos, fotos, presentes, recibos e outras recordações da época em que comandou o Palácio do Planalto Sarney só não sabe ainda se destina à Fundação Getulio Vargas as obras de arte. De qualquer maneira todo o material poderá ser visto pelos brasileiros, o que é uma grande vantagem para o discutido senador José Sarney: dessa vez ele não precisará esconder o jogo.
CASACA,
CASACA
O Vasco é com méritos incontestáveis o campão 2009 da série B. Sem essa de segunda divisão porque queiram ou não o Vasco é um time de primeira. Em campo e fora dele. Quando foi rebaixado uma dúvida tomou conta dos dirigentes do clube: qual seria a reação da torcida? Essa torcida fantasticamente apaixonada não mudou de camisa (quem muda de “time” todo o tempo é político interesseiro) e mostrou o forte sentimento vascaíno – o sentimento que não pode parar. O melhor exemplo da força deste sentimento talvez esteja em uma criança: meu neto de 11 anos nasceu e vive em São Paulo, mas não tenho dúvidas em afirmar que é um dos vascaínos mais “doentes” que conheço. Acompanhou todos os jogos do Vasco (a maioria pela televisão, é claro), sabe tudo sobre o time, tem uma invejável coleção de camisas, canetas, agendas, enfim, tudo que estampe a marca vascaína. Quando o Vasco foi fazer uma participação especial na série B achei que perderia um jovem torcedor. Não aconteceu. Até por provocação brinco com ele dizendo que como é paulista acabará torcendo pelo Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, sei lá e argumento que, ele mora em São Paulo, mas a resposta é taxativa: “Vô sou Vasco em qualquer lugar”. Eu também.
CIGARROS NÃO
PRECISAM DE FUMAÇA
É uma boa: que tal trocar o tabaco em forma de cigarro por palitos, também em forma de cigarro e embalados em maços, de cenoura. Essa é a proposta da campanha Stereotype, criada pelo designer chinês Daizi Sheng e lançada há dias na Inglaterra. A campanha pretende combater o vício e mudar hábitos alimentares propondo também trocar as batatas fritas por aipo no mesmo formato. Os cigarros de cenoura e outros produtos saudáveis ganharão embalagens idênticas às utilizadas para alimentos fast-food. O projeto foi criado com base em dados da Organização Mundial de Saúde de produtos não saudáveis que estão entre as principais causas de doenças não transmissíveis. Para reforçar a nova campanha antitabagista o Comitê de Medicina da Inglaterra recomenda aos fumantes que pretendem deixar o vício controlar a vontade de fumar segurando palitos não apenas de cenoura como também de frutas e outros vegetais. A Organização Mundial de Saúde condena o tabaco por ser a principal causa de morte evitável no mundo. Estatísticas revelam que o vício do tabaco atinge 16% dos brasileiros. A mesma estatística mostra que um terço (1 bilhão e 200 milhões de pessoas) da população mundial adulta não fuma. Campanhas antitabagista, incluindo as dificuldades impostas os fumantes entre as quais a proibição de “fazer fumaça” em locais fechados (bares, restaurantes) tem obtido bons resultados: pesquisas já mostram que 25,8% de homens pararam de fumar, o quer ocorreu também com 18,6% de mulheres. Acredita-se que os cigarros de cenoura ajudarão mais fumantes a abandonar o vicio. Cigarros de cenoura podem até ajudar a diminuir o número de homens e mulheres que fumam, mas certamente aumentará o número de coelhos viciados.
O APALADAR
ESTÁ NAS RUAS
Mesmo com as constantes recomendações da Vigilância Sanitária para que se evite o consumo das chamadas comidas de rua (aquelas preparadas e vendidas em quiosques, carrocinhas ou em um balcão improvisado com caixotes) aumenta a cada dia o número de ambulantes que se dedica por absoluta falta de opções de emprego a esse tipo de comércio não só porque a freguesias está ficando maior (é mais rápido e barato comer uma coisinha qualquer em um ambulante do que em qualquer restaurante a quilo que, aliás, costumam ser uma agressão à boa culinária. A Vigilância Sanitária afirma que a comida de rua tem vários vilões e os dois mais comuns são a s frituras preparadas em óleo saturado que potencializa a produção da toxina cancerígena chamada acroleína. O outro grande vilão é a exposição e o preparo de alimentos ao ar livre, o que é um generoso e aberto caminho para bactérias de todos os tipos e, portanto, doenças também.
As úteis recomendações (entre as quais a de procurar quiosques que tenham por perto água potável corrente) não são levadas muito em conta porque é difícil resistir aos muitos petiscos oferecidos em quase todas as esquinas. A recente realização do evento gastronômico Degusta Rio, no Armazém 2 do Cais do Porto, no Rio, deve aumentar o número de ofertas e de vendedores. Esse tipo de comércio não é nenhuma novidade: começou com o a acarajé, que os escravos vendiam nas ruas de Salvador no século 18, permitindo já naquela época, às escravas a garantia do sustento de suas famílias, além da prestação de serviço aos seus senhores. De lá pra cá não mudou muito: de certa forma a escravidão continua e só com o comércio alternativo têm sido possível sustentar a família, além de servir a seus senhores que são os chamados patrões de hoje.
O necessário cuidado na escolha do que comer na rua não acabará com esse tipo de comércio. Afinal, ninguém resiste a um petisco de rua. Mesmo que tenha correr para a farmácia ou o banheiro depois da primeira mordida.
eli.halfoun@terra.com.br
sábado, 14 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
CAMINHANDO CONTRA O VENTO
O lenço molhou de tanto limpar o suor de quem tem a infelicidade de correr atrás de um documento, original ou segunda via. Nessa atormentada corrida o sacrificado cidadão lembra ainda mais da música de Caetano Veloso ( “caminhando conta o vento/sem lenço documento/ no sol de quase dezembro, eu vou, eu vou ). E como vai: a busca de quem precisa de um documento, qualquer que seja, pode começar em janeiro e terminar no sol de quase dezembro.
São muitos os meses de espera e, portanto, de um tempo perdido que poderia ser duplamente útil. Pedir segunda via de carteira de identidade é ter que esperar por mais de dois, três meses por um fundamental documento que promete estar pronto em trinta dias, o que já é demais, mas mesmo assim se que se prolonga além, muito além, dos prometidos trinta dias.
Estranho é que nesse período tudo o que o cidadão necessita, seja documento oficial ou não depende do documento ( geralmente a identidade) que te exigem, mas não te entregam e se não entregam não poderiam exigir. Sem lenço, sem documento, nada no bolso ou nas mãos o cidadão fica sem entender o que motiva tão absurda demora que exige que ele, cidadão, gaste o que não tem e sem documento nem pode receber.
Caminhar contra o vento é a longo e obrigatório percurso imposto, por exemplo, a qualquer mulher que acaba de casar: para comprovar, através de documento, que ganhou oficialmente um novo esta civil e sobrenome, a recém casada tem que esperar, esperar, esperar. A primeira corrida é para a nova identidade, que sem ela não é possível fazer mais nada: a tentativa de adiantar o pedido de outros e necessários documentos esbarra na exigência de ter a identidade e como a identidade não sai a recém casada continua com marido mas sem lenço e sem documento.
Todos os documentos ficam meses a esperar por um único documento que facilitaria a vida dos outros documentos. A recém casada corre o risco de engravidar , ter o filho mas continuar sem carteira de identidade, sem titulo de eleitor, sem CPF. Sem lenço, sem documento.
O documento (ou documentos) fica preso no órgão público que o deveria liberar em poucos dias. Ou pelo menos no prazo prometido. O lenço molhado de suor acaba servindo também para enxugar as lágrimas, inevitáveis diante de tantas súplicas para conseguir um simples documento que lhe é de direito. Tanta espera faz parar a vida do cidadão
* Como se ele também fosse uma repartição pública.
UM PIRULITO
PARA DISFARÇAR
Sabe quando você não dá e faz tudo o que o seu filho precisa e depois para compensar a própria culpa passa a mão na cabeça dele e oferece um pirulito como se isso fosse o máximo. É mais ou menos assim que o governo age em relação aos negros toda vez que se criam cotas ou planos especiais na tentativa de compensar as oportunidades sociais que sempre lhe foram de uma forma ou de outra negadas. Primeiro foram as cotas nas Universidades. Agora o governo anuncia, através do Ministério do Trabalho a implantação a partir da próxima semana do Plano de Qualificação Profissional com recorte social e racial.
A promessa (promessas, sempre elas) é a de capacitar 25 mil negros que estão desempregados nos 26 estados e no Distrito Federal. Minas Gerais, Rio de Janeiro e Matogrosso oferecerão 6.945, 3.860 e 2.940 vagas, respectivamente, o que é uma pequena esmola em ralação ao número de desempregados (negros e brancos) que o país acumula como se fosse um troféu. O Planseq oferecerá, entre outros, cursos de carpinteiro, mecânico de motos, borracheiro, eletricista, operador de telemarketing, recepcionista, gerente de supermercado e cuidador de pessoas com doença falcifone – a doença mais comum da população brasileira, que diminui a circulação provocando dor e destruição dos glóbulos vermelhos. A doença acomete principalmente a população negra.
Deixa ver se entendi: quer dizer que só terá chance nos cursos oferecidos pelo Planseg o negro que teve a sorte de estudar, na infância, pelo menos um pouquinho, o que sabemos não acontece. Os que não tiveram a sorte de ir ao colégio nem para comer merenda continuarão convivendo com o terrível fantasma do desemprego e da falta de capacitação profissional que, aliás, não precisaria de cotas e muito menos de plano especiais (geralmente demagógicos) se desde a infância lhes dessem o direito de ser, como se diz popularmente, alguém na vida. Não é um favor. É obrigação do governo. Qualquer governo.
Deixa ver outra vez se entendi: doenças genéticas não costumam ter cura, mas é claro que podem ser retardadas e tratadas desde o início. Então, não é hora de mobilizar também o Ministério da Saúde: não adianta muito criar capacitação para a conquista de empregos (não esqueçam, por favor, de criar também os empregos) se o cidadão negro estiver doente e, portanto, não puder trabalhar.
Nada contra a criação de planos para, enfim, olhar para os negros com mais atenção, mas não será dando um “pirulito” e criando cotas que os problemas serão resolvidos agora e no futuro. Daqui a pouco vão querer criar cotas para os negros até nas escolas de samba.
QUANDO A IDADE É O
LIMITE DA BURRICE
Não é preciso procurar muito para perceber que alguns dos melhores profissionais da Rede Globo, especialmente no elenco de novelas, estão no chamado bloco da terceira idade. Exemplos: Glória Menezes, Regina Duarte, Yoná Magalhães, Tarcísio Meira, Pedro Paulo Rangel Antonio Fagundes, Stenio Garcia, Lima Duarte e muitos outros. Se nas novelas e em vários outros programas os artistas mais velhos são prestigiados, aplaudidos e respeitados o mesmo não acontece em outros setores. Agora mesmo a garota-propaganda (linda por sinal) Adriana Colin, que é sem dúvida e sem exagero uma das atrações do Domingão do Faustão recebeu cartão vermelho ou bilhete azul, como se dizia antigamente. Adriana, que foi Miss São Paulo em 1989 e segunda colocada no concurso Miss Brasil não dará mais o ar de sua graça no programa porque o Departamento Comercial a considera velha para continuar desempenhando a função de, digamos, “vender” produtos. É burrice: o fato de ser mais velha é um ponto positivo para o trabalho de Adriana, que por conta da idade e da experiência, lhe dá inegavelmente maior credibilidade. Mesmo assim o Departamento Comercial da Rede Globo sugeriu sua “dispensa”, palavra mais gentil para demissão e que desemprega do mesmo jeito. Não se sabe se a Rede Globo adotará a mesma e burra filosofia de trabalho (ou seria de desemprego?) em todos os programas. Se o fizer acabará tendo que exibir “Malhação” o dia inteiro. E aí será uma tortura.
MAIS ANZOL NO
FUTEBOL DO PEIXE
Todo mundo sabe que independente do que aconteça nas partidas, fora de campo o futebol é um grande e lucrativo negócio, que atrai a atenção até de fortes bancos, pensando sempre nos bons resultados financeiros e não exatamente nos dos jogos. De olho nesse rentável negócio um grupo de empresários paulistas está de olho no Santos. São (ou se dizem) todos torcedores do “peixe” desde os tempos de Pelé. A proposta é criar um fundo de investimento para gerir o clube já a partir do ano que vem quando de saída seria criado também um Departamento de Futebol terceirizado para esse fundo sem nenhuma ingerência da direção do clube nessa área. Os empresários Roberto Setúbal (Itaú) e Fabio Barbosa (Santander) além do senador Aloísio Mercadante já apresentaram o projeto ao atual presidente do Santos, Marcelo Teixeira, não mordeu a apetitosa isca e descartou a idéia: não quer ver o Santos no banco de jeito nenhum, até porque sabe que assim o peixe será fisgado pelo anzol da fritura econômica. E não quer o Santos frito e mal pago. Nem bem pago também.
VAMOS ARRUMAR A CASA
ANTES QUE A CHUVA NOS LEVE
É a velha história de só reforçar a tranca depois da casa arrombada: toda vez que chove repetem-se as desumanas cenas envolvendo gente que já não tem nada ficar com menos ainda porque a casa foi invadida pelas águas, pela lama e, principalmente pela irresponsabilidade do poder público cansado de saber que com qualquer chuvisco o Rio está literalmente ameaçado de transbordar levando em suas águas um punhado de lágrimas de moradores carentes. A chuva que acaba de novamente massacrar a Baixada Fluminense, especialmente Caxias mostrou uma vez mais que a porta continua sem tranca.
Há sempre quem se defenda com a desculpa de que chuva forte é uma fatalidade contra a qual nada se pode fazer. A cidade tem sido vítima constante de chuvas contínuas. Ninguém espera por elas e pede que se fechem as torneiras do céu, mas se é impossível evitar a chuva não é impossível evitar as tragédias que se repetem da mesma forma, como se fossem um festival de reprises de filmes na televisão. É esse filme que desabriga pessoas e as condena a umas pobreza ainda maior, a uma subvida, apavorada a cada trovoada.
As cenas são sempre as mesmas: encostas caem, casas desabam, móveis bóiam em águas sujas, gente morre engolida pela lama. Todo mundo, inclusive as autoridades, sabe que quando a chuva chega maiores serão as tragédias nos locais de sempre. Fica claro, mesmo quando falta luz, que a única solução é partir para prevenção. Não é preciso esperar chover para socorrer as vítimas - vítimas que certamente seriam bem menores se nos períodos ensolarados fossem feitas as fundamentais obras de prevenção e a população, principalmente a carente, estivesse informada de como proteger-se e evitar danos maiores dos que os que ocorrem. Nada se faz simplesmente porque em dia de sol todo mundo quer ir para a praia.
A cada pingo mais forte a Defesa Civil atende centenas de pedidos de ajuda para imóveis com infiltração, desprendimento de esboço/reboco, deslizamento de barreira, queda de muro, inundação/alagamento e outros danos que poderiam ser perfeitamente evitados se necessárias providências fossem tomadas antes da casa arrombada. São medidas urgentes que certamente evitarão maiores estragos e desnecessários prejuízos aos cofres do município e do estado.
A GRANDE ILUSÃO
DO TEMPO DE FESTA
Todo fim de ano a gente faz tudo sempre igual: está começando outra vez a corrida para compras de Natal. Parece ser uma época feliz, mas sabemos que não é assim para grande parcela da população sem condições de, como manda a tradição, desfrutar de uma mesa farta (aliás, hábito gastronômico que nada tem a ver com a nossa realidade salarial e o nosso clima e agora também com uma quase imposição médica que proíbe alimentos calóricos e gordurosos).
Há um grande entusiasmo dos lojistas (esses sim sorridentes com lucros nesse período festivo). Não é para menos: até dezembro o 13º salário injetará bilhões na economia brasileira.
Especialistas orientam que se gaste apenas 30% do 13º salário nas compras de Natal, mas supostamente vantajosas ofertas comprometem o dinheiro extra que geralmente já chega comprometido com dívidas acumuladas durante o ano - dívidas na maioria das vezes com serviços essenciais como contas de luz, gás, água, telefone e remédios adquiridos com cheques pré-datados: as doenças não esperam por dias financeiramente melhores.
É nesse período que a taxa de desemprego diminui e os governos (federal, estadual e municipal) costumam orgulhar-se como se o mérito fosse de suas administrações e não apenas por conta do período festivo que independe de qualquer interferência governamental. É festa e pronto.
A criação de novos empregos nessa época do ano é apenas mais uma ilusão de Natal. São empregos provisórios que deixam de existir assim que a festa termina. Até quando tudo nesse país terá que ser provisório?
eli.halfoun@terra.com.br
São muitos os meses de espera e, portanto, de um tempo perdido que poderia ser duplamente útil. Pedir segunda via de carteira de identidade é ter que esperar por mais de dois, três meses por um fundamental documento que promete estar pronto em trinta dias, o que já é demais, mas mesmo assim se que se prolonga além, muito além, dos prometidos trinta dias.
Estranho é que nesse período tudo o que o cidadão necessita, seja documento oficial ou não depende do documento ( geralmente a identidade) que te exigem, mas não te entregam e se não entregam não poderiam exigir. Sem lenço, sem documento, nada no bolso ou nas mãos o cidadão fica sem entender o que motiva tão absurda demora que exige que ele, cidadão, gaste o que não tem e sem documento nem pode receber.
Caminhar contra o vento é a longo e obrigatório percurso imposto, por exemplo, a qualquer mulher que acaba de casar: para comprovar, através de documento, que ganhou oficialmente um novo esta civil e sobrenome, a recém casada tem que esperar, esperar, esperar. A primeira corrida é para a nova identidade, que sem ela não é possível fazer mais nada: a tentativa de adiantar o pedido de outros e necessários documentos esbarra na exigência de ter a identidade e como a identidade não sai a recém casada continua com marido mas sem lenço e sem documento.
Todos os documentos ficam meses a esperar por um único documento que facilitaria a vida dos outros documentos. A recém casada corre o risco de engravidar , ter o filho mas continuar sem carteira de identidade, sem titulo de eleitor, sem CPF. Sem lenço, sem documento.
O documento (ou documentos) fica preso no órgão público que o deveria liberar em poucos dias. Ou pelo menos no prazo prometido. O lenço molhado de suor acaba servindo também para enxugar as lágrimas, inevitáveis diante de tantas súplicas para conseguir um simples documento que lhe é de direito. Tanta espera faz parar a vida do cidadão
* Como se ele também fosse uma repartição pública.
UM PIRULITO
PARA DISFARÇAR
Sabe quando você não dá e faz tudo o que o seu filho precisa e depois para compensar a própria culpa passa a mão na cabeça dele e oferece um pirulito como se isso fosse o máximo. É mais ou menos assim que o governo age em relação aos negros toda vez que se criam cotas ou planos especiais na tentativa de compensar as oportunidades sociais que sempre lhe foram de uma forma ou de outra negadas. Primeiro foram as cotas nas Universidades. Agora o governo anuncia, através do Ministério do Trabalho a implantação a partir da próxima semana do Plano de Qualificação Profissional com recorte social e racial.
A promessa (promessas, sempre elas) é a de capacitar 25 mil negros que estão desempregados nos 26 estados e no Distrito Federal. Minas Gerais, Rio de Janeiro e Matogrosso oferecerão 6.945, 3.860 e 2.940 vagas, respectivamente, o que é uma pequena esmola em ralação ao número de desempregados (negros e brancos) que o país acumula como se fosse um troféu. O Planseq oferecerá, entre outros, cursos de carpinteiro, mecânico de motos, borracheiro, eletricista, operador de telemarketing, recepcionista, gerente de supermercado e cuidador de pessoas com doença falcifone – a doença mais comum da população brasileira, que diminui a circulação provocando dor e destruição dos glóbulos vermelhos. A doença acomete principalmente a população negra.
Deixa ver se entendi: quer dizer que só terá chance nos cursos oferecidos pelo Planseg o negro que teve a sorte de estudar, na infância, pelo menos um pouquinho, o que sabemos não acontece. Os que não tiveram a sorte de ir ao colégio nem para comer merenda continuarão convivendo com o terrível fantasma do desemprego e da falta de capacitação profissional que, aliás, não precisaria de cotas e muito menos de plano especiais (geralmente demagógicos) se desde a infância lhes dessem o direito de ser, como se diz popularmente, alguém na vida. Não é um favor. É obrigação do governo. Qualquer governo.
Deixa ver outra vez se entendi: doenças genéticas não costumam ter cura, mas é claro que podem ser retardadas e tratadas desde o início. Então, não é hora de mobilizar também o Ministério da Saúde: não adianta muito criar capacitação para a conquista de empregos (não esqueçam, por favor, de criar também os empregos) se o cidadão negro estiver doente e, portanto, não puder trabalhar.
Nada contra a criação de planos para, enfim, olhar para os negros com mais atenção, mas não será dando um “pirulito” e criando cotas que os problemas serão resolvidos agora e no futuro. Daqui a pouco vão querer criar cotas para os negros até nas escolas de samba.
QUANDO A IDADE É O
LIMITE DA BURRICE
Não é preciso procurar muito para perceber que alguns dos melhores profissionais da Rede Globo, especialmente no elenco de novelas, estão no chamado bloco da terceira idade. Exemplos: Glória Menezes, Regina Duarte, Yoná Magalhães, Tarcísio Meira, Pedro Paulo Rangel Antonio Fagundes, Stenio Garcia, Lima Duarte e muitos outros. Se nas novelas e em vários outros programas os artistas mais velhos são prestigiados, aplaudidos e respeitados o mesmo não acontece em outros setores. Agora mesmo a garota-propaganda (linda por sinal) Adriana Colin, que é sem dúvida e sem exagero uma das atrações do Domingão do Faustão recebeu cartão vermelho ou bilhete azul, como se dizia antigamente. Adriana, que foi Miss São Paulo em 1989 e segunda colocada no concurso Miss Brasil não dará mais o ar de sua graça no programa porque o Departamento Comercial a considera velha para continuar desempenhando a função de, digamos, “vender” produtos. É burrice: o fato de ser mais velha é um ponto positivo para o trabalho de Adriana, que por conta da idade e da experiência, lhe dá inegavelmente maior credibilidade. Mesmo assim o Departamento Comercial da Rede Globo sugeriu sua “dispensa”, palavra mais gentil para demissão e que desemprega do mesmo jeito. Não se sabe se a Rede Globo adotará a mesma e burra filosofia de trabalho (ou seria de desemprego?) em todos os programas. Se o fizer acabará tendo que exibir “Malhação” o dia inteiro. E aí será uma tortura.
MAIS ANZOL NO
FUTEBOL DO PEIXE
Todo mundo sabe que independente do que aconteça nas partidas, fora de campo o futebol é um grande e lucrativo negócio, que atrai a atenção até de fortes bancos, pensando sempre nos bons resultados financeiros e não exatamente nos dos jogos. De olho nesse rentável negócio um grupo de empresários paulistas está de olho no Santos. São (ou se dizem) todos torcedores do “peixe” desde os tempos de Pelé. A proposta é criar um fundo de investimento para gerir o clube já a partir do ano que vem quando de saída seria criado também um Departamento de Futebol terceirizado para esse fundo sem nenhuma ingerência da direção do clube nessa área. Os empresários Roberto Setúbal (Itaú) e Fabio Barbosa (Santander) além do senador Aloísio Mercadante já apresentaram o projeto ao atual presidente do Santos, Marcelo Teixeira, não mordeu a apetitosa isca e descartou a idéia: não quer ver o Santos no banco de jeito nenhum, até porque sabe que assim o peixe será fisgado pelo anzol da fritura econômica. E não quer o Santos frito e mal pago. Nem bem pago também.
VAMOS ARRUMAR A CASA
ANTES QUE A CHUVA NOS LEVE
É a velha história de só reforçar a tranca depois da casa arrombada: toda vez que chove repetem-se as desumanas cenas envolvendo gente que já não tem nada ficar com menos ainda porque a casa foi invadida pelas águas, pela lama e, principalmente pela irresponsabilidade do poder público cansado de saber que com qualquer chuvisco o Rio está literalmente ameaçado de transbordar levando em suas águas um punhado de lágrimas de moradores carentes. A chuva que acaba de novamente massacrar a Baixada Fluminense, especialmente Caxias mostrou uma vez mais que a porta continua sem tranca.
Há sempre quem se defenda com a desculpa de que chuva forte é uma fatalidade contra a qual nada se pode fazer. A cidade tem sido vítima constante de chuvas contínuas. Ninguém espera por elas e pede que se fechem as torneiras do céu, mas se é impossível evitar a chuva não é impossível evitar as tragédias que se repetem da mesma forma, como se fossem um festival de reprises de filmes na televisão. É esse filme que desabriga pessoas e as condena a umas pobreza ainda maior, a uma subvida, apavorada a cada trovoada.
As cenas são sempre as mesmas: encostas caem, casas desabam, móveis bóiam em águas sujas, gente morre engolida pela lama. Todo mundo, inclusive as autoridades, sabe que quando a chuva chega maiores serão as tragédias nos locais de sempre. Fica claro, mesmo quando falta luz, que a única solução é partir para prevenção. Não é preciso esperar chover para socorrer as vítimas - vítimas que certamente seriam bem menores se nos períodos ensolarados fossem feitas as fundamentais obras de prevenção e a população, principalmente a carente, estivesse informada de como proteger-se e evitar danos maiores dos que os que ocorrem. Nada se faz simplesmente porque em dia de sol todo mundo quer ir para a praia.
A cada pingo mais forte a Defesa Civil atende centenas de pedidos de ajuda para imóveis com infiltração, desprendimento de esboço/reboco, deslizamento de barreira, queda de muro, inundação/alagamento e outros danos que poderiam ser perfeitamente evitados se necessárias providências fossem tomadas antes da casa arrombada. São medidas urgentes que certamente evitarão maiores estragos e desnecessários prejuízos aos cofres do município e do estado.
A GRANDE ILUSÃO
DO TEMPO DE FESTA
Todo fim de ano a gente faz tudo sempre igual: está começando outra vez a corrida para compras de Natal. Parece ser uma época feliz, mas sabemos que não é assim para grande parcela da população sem condições de, como manda a tradição, desfrutar de uma mesa farta (aliás, hábito gastronômico que nada tem a ver com a nossa realidade salarial e o nosso clima e agora também com uma quase imposição médica que proíbe alimentos calóricos e gordurosos).
Há um grande entusiasmo dos lojistas (esses sim sorridentes com lucros nesse período festivo). Não é para menos: até dezembro o 13º salário injetará bilhões na economia brasileira.
Especialistas orientam que se gaste apenas 30% do 13º salário nas compras de Natal, mas supostamente vantajosas ofertas comprometem o dinheiro extra que geralmente já chega comprometido com dívidas acumuladas durante o ano - dívidas na maioria das vezes com serviços essenciais como contas de luz, gás, água, telefone e remédios adquiridos com cheques pré-datados: as doenças não esperam por dias financeiramente melhores.
É nesse período que a taxa de desemprego diminui e os governos (federal, estadual e municipal) costumam orgulhar-se como se o mérito fosse de suas administrações e não apenas por conta do período festivo que independe de qualquer interferência governamental. É festa e pronto.
A criação de novos empregos nessa época do ano é apenas mais uma ilusão de Natal. São empregos provisórios que deixam de existir assim que a festa termina. Até quando tudo nesse país terá que ser provisório?
eli.halfoun@terra.com.br
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
O TOMBO DA QUEDA
Nascemos para a vitória. Ninguém gosta de perder, embora seja inevitável, nada na vida. Perder talvez seja o verbo que, mesmo sem perceber, mais conjugamos diariamente, mas não nos acostumamos às perdas, mesmo que a perda seja apenas a de um jogo de "purrinha" com os amigos no botequim da esquina.
Essa necessidade de aplicar sempre o verbo ganhar, de preferência na primeira pessoa (se o time de futebol pelo qual se torce vence a partida não dizemos que o time tal ganhou, mas sim “o meu time ganhou”) é que se faz a responsável maior pelas também muitas reclamações que nos acompanham todo o tempo.
Ganhar e perder é um jogo que nos faz, ganhando ou perdendo, seguir em frente. Quem ganha quer continuar ganhando; quem perde não perde pelo menos a esperança de ganhar no dia seguinte. Mas mesmo assim reclamos de tudo, criamos fantasmas em relação a qualquer obstáculo, por menor que possa ser. Estamos perdendo – e a cada dia mais – a capacidade de enxergar o lado positivo da vida até nas derrotas. Para saber ganhar é preciso em primeiro lugar saber perder e, perdendo, aprender a criar uma nova capacidade de ganhar. A grande vitória é olhar a vida com otimismo, com bom humor. Quem não consegue ser bem humorado também não consegue, até quando ganha, ficar feliz e não aprende que a tão ambicionada felicidade total é só uma busca nesse jogo diário de perde e ganha.
São poucos os que aprendem a encarar com bom humor as dificuldades do dia a dia. Cada vez que encontramos alguém ouvimos, quase sempre, um festival de reclamações e de lamentações. Aconteceu recentemente comigo: a pessoa que me acompanhava passou todo o trajeto reclamando de tudo e de todos. Lamentava-se sem parar até que, pacientemente, reagi com uma frase que foi uma nova lição. De repente saiu: “Em vez de você chorar com a queda porque não aprende a rir do tombo”.
É isso: precisamos aprender a transformar as quedas em tombos. A queda machuca, mas o tombo nos faz rir até de nós mesmos. A queda pode ser trágica; o tombo é uma piada, um jeito de brincar com a queda. Cair (e cair não significa só despencar até o chão) é uma teimosa circunstância que pode nos atingir qualquer dia.
Mais do que ficar preocupado ou lamentando a queda, é preciso levantar e transformar a queda em um engraçado tombo.
Só assim a vida nos permitirá rir e continuar lutando pelas vitórias que tanto desejamos. Toda vez que soubermos, com inteligência e paciência (não confunda isso com conformar-se), transformar a queda em um tombo teremos, enfim, aprendido a viver mais e melhor.
* Rir é sempre muito mais fácil e do que chorar
A AMAZÔNIA
É NOSSA. AINDA
O Brasil orgulha-se da ainda nossa Amazônia e embora a Amazônia Legal concentre dez estados, não é neles que a União mais gasta com seu pessoal (os que trabalham, a minoria, e os que não trabalham, a maioria – e bota maioria nisso). Os maiores gastos (77%) da União com pessoal acontecem em Brasília com 60%, seguida do Rio com 17,5%. Apenas 3,98% são “aplicados” em pessoal da Amazônia. Alguns dados importantes: a Amazônia é a região compreendida pela bacia do Rio Amazonas (a mais extensa do mundo), formada por 25 mil km de rios navegáveis em cerca de 6.9 % de km quadrados, dos quais 3,8 milhões de km estão no Brasil. A chamada Amazônia Legal abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, parte do Maranhão e cinco municípios de Goiás. Representa 59% do território brasileiro, distribuído por 775 municípios, onde viviam, segundo o censo de 2002, 20,3% milhões de pessoas (12,32% da população nacional). No tamanho a Amazônia é nossa. Resta saber até quando. Ou seja: o Brasil não pode bobear. Os estrangeiros estão com os olhos cada vez mais compridos. E gulosos.
A SAIDEIRA
QUE NÃO SAI
Todo cuidado é pouco: dezembro está na bica e com ele os tradicionais (alguns chatíssimos) encontros de confraternização, sempre uma bela desculpa para encher o pote. Aí é que mora o perigo: sempre se perde a noção da quantidade de álcool consumido e por conta disso, o que era uma festa pode terminar em desastre muitas vezes fatal. Nada contra quem bebe (já fui muito bom de copo), mas tudo a favor de quem sabe beber e beber é uma arte que precisa ser saboreada e não uma maneira descontrolada e nada prazerosa de ficar de porre.De vez em quando o porre e inevitável. É sempre ruim: tira o prazer, principalmente no dia seguinte, do que deveria ser um delicioso esporte de levantar o copo.
Depois de cada confraternização haverá vai ter muita gente reclamando ainda mais da Lei Seca, que só existe porque não aprendemos a nos impormos limites (é muito chato beber com limites) na hora de tomar mais uma, outra e mais outra até a saideira que não termina nunca. Agora a vigilância da Lei Seca ficará necessariamente maior e não se pode negar que mesmo cometendo exageros (o tal do bafômetro é um vexame) tem sido muito eficiente. Desde que começou, a Lei Seca permitiu que 394 pessoas escapassem da morte, de ferimentos ou de colisões, índice que representa, segundo dados oficiais, uma queda de 26,7% no número de acidentados em relação a outubro de 2008.. Estudo realizado com base nos dados do Grupamento de Socorro de Emergência do Corpo pode Bombeiros revela ainda que foram contabilizadas 1.082 vítima vítimas de acidentes em outubro contra 1.476 do mesmo mês em 2008. A Lei Seca salvou, segundo cálculos oficiais, 2.800 pessoas até o último mês de outubro em relação ao mesmo período do ano passado.
Nos oito meses da operação Lei Seca foram abordados 102.099 motoristas e mais de 96 mil foram submetidos ao teste de bafômetro. Com esse trabalho de fiscalização foram aplicadas 20.200 multas e 3.700 veículos foram rebocados, além do recolhimento de 8.195 carteiras de habilitação e mais a aplicação de 1.562 sanções administrativas e 517 criminais. Motoristas beberrões ( vale sempre lembrar que “se dirigir não beba”) tentam escapar das blitze e utilizam a internet, especialmente o twitter, para ser informar sobre os locais em que a fiscalização está atuando, o que, convenhamos, é tentar submeter-se a um risco desnecessário já que, queiramos ou não, uma blitz desse tipo pode salvar a vida do motorista (e caronas) de quem, exagerou no chopinho amigo. É preciso também levar em conta que muita gente quer fugir de uma blitz porque sabe que ela pode ser falsa (como muitas ultimamente) para facilitar assaltos. A verdade é que bêbados ou sóbrios, estamos vivendo (nesse período de esta muito mais) na cidade do “mãos ao alto”.
contabilizadas 1.082 vítima vítimas de acidentes em outubro contra 1.476 do mesmo mês em 2008. A Lei Seca salvou, segundo cálculos oficiais, 2.800 pessoas até o último mês de outubro em relação ao mesmo período do ano passado.
Nos oito meses da operação Lei Seca foram abordados 102.099 motoristas e mais de 96 mil foram submetidos ao teste de bafômetro. Com esse trabalho de fiscalização foram aplicadas 20.200 multas e 3.700 veículos foram rebocados, além do recolhimento de 8.195 carteiras de habilitação e mais a aplicação de 1.562 sanções administrativas e 517 criminais. Motoristas beberrões ( vale sempre lembrar que “se dirigir não beba”) tentam escapar das blitze e utilizam a internet, especialmente o twitter, para ser informar sobre os locais em que a fiscalização está atuando, o que, convenhamos, é tentar submeter-se a um risco desnecessário já que, queiramos ou não, uma blitz desse tipo pode salvar a vida do motorista (e caronas) de quem, exagerou no chopinho amigo. É preciso também levar em conta que muita gente quer fugir de uma blitz porque sabe que ela pode ser falsa (como muitas ultimamente) para facilitar assaltos. A verdade é que bêbados ou sóbrios, estamos vivendo (nesse período de esta muito mais) na cidade do “mãos ao alto”.
LONGE DA
“MAROLINHA”
Mesmo que se leia diária e atentamente as reportagens sobre a nossa economia é difícil, muito difícil, entender o assunto até porque os artigos econômicos nunca nos permitem absorver nada não só porque não explicam direito, mas também porque ainda utilizam um “economês” que necessita de uma boa tradução. O que mais se lê é que a nossa economia superou a tal “marolinha”, que as coisas ainda estão pretas, existe grande inadimplência e que o comércio está falindo. No meio desse turbilhão chega notícia de que a velha Mesbla, uma das mais famosas redes varejista do país, que faliu em 1990, voltará em abril do ano que vem. Inicialmente seu foco serão os artigos femininos vendidos em circuito fechado
à apenas 75 mil consumidores para testar o sistema e-commerce no Brasil. A ainda não anunciada oficialmente, mas já acertada volta da Mesbla está sendo movimentada pelo Mercantil Brasileiro, a partir de um contrato assinado com Ricardo Mansur, dono da marca. Somente depois de testar a venda para convidados é que a Mesbla se instalará em novas lojas. Espera-se que nessa nova empreita pelo menos o relógio da Mesbla, antes instalado no prédio onde funciona hoje uma Lojas Americanas, na Lapa, Rio, não perca o rumo. Nem a hora.
CHATAS DE
GALOCHA
Está ficando chata essa brincadeira de pique - esconde que Madonna anda fazendo com seus fãs desde que desembarcou no Brasil. Isso sempre acontece porque artistas estrangeiros acham que fazem um grande favor de vir ao Brasil e também porque os fãs (brasileiros ou não) lhes dão muita confiança. Eu era um jovem repórter (e não vai aí nenhum saudosismo) quando fui escalado pelo jornal (uma perfeita escola) Ultima Hora, para acompanhar os passos da visita de Brigitte Bardot (na época ela era mesmo uma gracinha, como diria Hebe Camargo) e se escondia da imprensa e dos fãs, o que lhe rendeu a primeira página dos jornais durante pelo menos uma semana (artistas reclamam da mídia e dos fãs, mas sempre precisam dos dois. Cansada da brincadeira, que repetiu até na época desconhecida Búzios) Brigitte Bardot parou de esconder-se, ou seja, apareceu na janela, se deixou fotografar virou figurinha fácil. Tão fácil que acabou ficando desinteressante para a mídia que a transformou em uma quase notinha de rodapé. Lembro que ficou tão fácil dar de cara com a deliciosa BB em restaurantes e boates que não se olhava para ela com entusiasmada admiração e prazer. Pelo contrário: quando alguém anunciava que Brigitte Bardot estava chegando os assíduos frequentadores de badalados pontos de encontro noturnos (como a antiga Fiiorentina, no Leme, Rio) ficavam incomodados a ponto de alguém alertar: “Vamos embora porque lá vem aquela chata”. Madonna também acabará cansando da brincadeira e ficará desinteressante até para as fãs que, como comentou uma, acham que “ela não quer aparecer para não mostrar a verdade das rugas de sua idade”. E como Brigitte Bardot Madonna também ficará uma chata. Pior: uma chata que ainda por cima canta.
UMA PARADA
PARA A ALEGRIA
Os personagens criados por Walt Disney ainda conquistam a ingênua e entusiasmada admiração de crianças em todo o planeta e deixaram não se pode negar uma alegre saudade nos corações de várias gerações. É por isso que embora antigos estão sempre atuais e percorrendo o mundo. Pois bem, para a alegria das crianças E, por que não, dos adultos os personagens da Disney desembarcam agora no Brasil para a realização da famosa Parada Disney com carros alegóricos, os personagens mais tradicionais e 300 figurantes. O primeiro desfile da Parada será já no próximo dia 29 na orla de Copacabana, ainda a mais bonita do mundo. No dia 6 de dezembro a Parada encanta os capixabas desfilando em Vila Velha e no dia 20 de dezembro estará em São Paulo respirando aquele ar poluído que só os paulistas aguentam. Quem está trazendo o espetáculo ao Brasil é a Maior, nova empresa de entretenimento presidida por Paulo Zottolo, que já foi da Phillips. Quem paga a conta é a Nestlé, que, aliás, ultimamente anda patrocinando tudo, o que é ótimo. Os cariocas, especialmente, terão oportunidade de relembrar as maravilhosas paradas organizadas por Abraham Medina e patrocinadas pelo Rei da Voz. Medina, o pai, deixou para os filhos Ruben e Roberto o entusiasmo pelos, que costumam grandes eventos que costumam organizar com perfeição. O Rock in Rio que o diga.
Essa necessidade de aplicar sempre o verbo ganhar, de preferência na primeira pessoa (se o time de futebol pelo qual se torce vence a partida não dizemos que o time tal ganhou, mas sim “o meu time ganhou”) é que se faz a responsável maior pelas também muitas reclamações que nos acompanham todo o tempo.
Ganhar e perder é um jogo que nos faz, ganhando ou perdendo, seguir em frente. Quem ganha quer continuar ganhando; quem perde não perde pelo menos a esperança de ganhar no dia seguinte. Mas mesmo assim reclamos de tudo, criamos fantasmas em relação a qualquer obstáculo, por menor que possa ser. Estamos perdendo – e a cada dia mais – a capacidade de enxergar o lado positivo da vida até nas derrotas. Para saber ganhar é preciso em primeiro lugar saber perder e, perdendo, aprender a criar uma nova capacidade de ganhar. A grande vitória é olhar a vida com otimismo, com bom humor. Quem não consegue ser bem humorado também não consegue, até quando ganha, ficar feliz e não aprende que a tão ambicionada felicidade total é só uma busca nesse jogo diário de perde e ganha.
São poucos os que aprendem a encarar com bom humor as dificuldades do dia a dia. Cada vez que encontramos alguém ouvimos, quase sempre, um festival de reclamações e de lamentações. Aconteceu recentemente comigo: a pessoa que me acompanhava passou todo o trajeto reclamando de tudo e de todos. Lamentava-se sem parar até que, pacientemente, reagi com uma frase que foi uma nova lição. De repente saiu: “Em vez de você chorar com a queda porque não aprende a rir do tombo”.
É isso: precisamos aprender a transformar as quedas em tombos. A queda machuca, mas o tombo nos faz rir até de nós mesmos. A queda pode ser trágica; o tombo é uma piada, um jeito de brincar com a queda. Cair (e cair não significa só despencar até o chão) é uma teimosa circunstância que pode nos atingir qualquer dia.
Mais do que ficar preocupado ou lamentando a queda, é preciso levantar e transformar a queda em um engraçado tombo.
Só assim a vida nos permitirá rir e continuar lutando pelas vitórias que tanto desejamos. Toda vez que soubermos, com inteligência e paciência (não confunda isso com conformar-se), transformar a queda em um tombo teremos, enfim, aprendido a viver mais e melhor.
* Rir é sempre muito mais fácil e do que chorar
A AMAZÔNIA
É NOSSA. AINDA
O Brasil orgulha-se da ainda nossa Amazônia e embora a Amazônia Legal concentre dez estados, não é neles que a União mais gasta com seu pessoal (os que trabalham, a minoria, e os que não trabalham, a maioria – e bota maioria nisso). Os maiores gastos (77%) da União com pessoal acontecem em Brasília com 60%, seguida do Rio com 17,5%. Apenas 3,98% são “aplicados” em pessoal da Amazônia. Alguns dados importantes: a Amazônia é a região compreendida pela bacia do Rio Amazonas (a mais extensa do mundo), formada por 25 mil km de rios navegáveis em cerca de 6.9 % de km quadrados, dos quais 3,8 milhões de km estão no Brasil. A chamada Amazônia Legal abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, parte do Maranhão e cinco municípios de Goiás. Representa 59% do território brasileiro, distribuído por 775 municípios, onde viviam, segundo o censo de 2002, 20,3% milhões de pessoas (12,32% da população nacional). No tamanho a Amazônia é nossa. Resta saber até quando. Ou seja: o Brasil não pode bobear. Os estrangeiros estão com os olhos cada vez mais compridos. E gulosos.
A SAIDEIRA
QUE NÃO SAI
Todo cuidado é pouco: dezembro está na bica e com ele os tradicionais (alguns chatíssimos) encontros de confraternização, sempre uma bela desculpa para encher o pote. Aí é que mora o perigo: sempre se perde a noção da quantidade de álcool consumido e por conta disso, o que era uma festa pode terminar em desastre muitas vezes fatal. Nada contra quem bebe (já fui muito bom de copo), mas tudo a favor de quem sabe beber e beber é uma arte que precisa ser saboreada e não uma maneira descontrolada e nada prazerosa de ficar de porre.De vez em quando o porre e inevitável. É sempre ruim: tira o prazer, principalmente no dia seguinte, do que deveria ser um delicioso esporte de levantar o copo.
Depois de cada confraternização haverá vai ter muita gente reclamando ainda mais da Lei Seca, que só existe porque não aprendemos a nos impormos limites (é muito chato beber com limites) na hora de tomar mais uma, outra e mais outra até a saideira que não termina nunca. Agora a vigilância da Lei Seca ficará necessariamente maior e não se pode negar que mesmo cometendo exageros (o tal do bafômetro é um vexame) tem sido muito eficiente. Desde que começou, a Lei Seca permitiu que 394 pessoas escapassem da morte, de ferimentos ou de colisões, índice que representa, segundo dados oficiais, uma queda de 26,7% no número de acidentados em relação a outubro de 2008.. Estudo realizado com base nos dados do Grupamento de Socorro de Emergência do Corpo pode Bombeiros revela ainda que foram contabilizadas 1.082 vítima vítimas de acidentes em outubro contra 1.476 do mesmo mês em 2008. A Lei Seca salvou, segundo cálculos oficiais, 2.800 pessoas até o último mês de outubro em relação ao mesmo período do ano passado.
Nos oito meses da operação Lei Seca foram abordados 102.099 motoristas e mais de 96 mil foram submetidos ao teste de bafômetro. Com esse trabalho de fiscalização foram aplicadas 20.200 multas e 3.700 veículos foram rebocados, além do recolhimento de 8.195 carteiras de habilitação e mais a aplicação de 1.562 sanções administrativas e 517 criminais. Motoristas beberrões ( vale sempre lembrar que “se dirigir não beba”) tentam escapar das blitze e utilizam a internet, especialmente o twitter, para ser informar sobre os locais em que a fiscalização está atuando, o que, convenhamos, é tentar submeter-se a um risco desnecessário já que, queiramos ou não, uma blitz desse tipo pode salvar a vida do motorista (e caronas) de quem, exagerou no chopinho amigo. É preciso também levar em conta que muita gente quer fugir de uma blitz porque sabe que ela pode ser falsa (como muitas ultimamente) para facilitar assaltos. A verdade é que bêbados ou sóbrios, estamos vivendo (nesse período de esta muito mais) na cidade do “mãos ao alto”.
contabilizadas 1.082 vítima vítimas de acidentes em outubro contra 1.476 do mesmo mês em 2008. A Lei Seca salvou, segundo cálculos oficiais, 2.800 pessoas até o último mês de outubro em relação ao mesmo período do ano passado.
Nos oito meses da operação Lei Seca foram abordados 102.099 motoristas e mais de 96 mil foram submetidos ao teste de bafômetro. Com esse trabalho de fiscalização foram aplicadas 20.200 multas e 3.700 veículos foram rebocados, além do recolhimento de 8.195 carteiras de habilitação e mais a aplicação de 1.562 sanções administrativas e 517 criminais. Motoristas beberrões ( vale sempre lembrar que “se dirigir não beba”) tentam escapar das blitze e utilizam a internet, especialmente o twitter, para ser informar sobre os locais em que a fiscalização está atuando, o que, convenhamos, é tentar submeter-se a um risco desnecessário já que, queiramos ou não, uma blitz desse tipo pode salvar a vida do motorista (e caronas) de quem, exagerou no chopinho amigo. É preciso também levar em conta que muita gente quer fugir de uma blitz porque sabe que ela pode ser falsa (como muitas ultimamente) para facilitar assaltos. A verdade é que bêbados ou sóbrios, estamos vivendo (nesse período de esta muito mais) na cidade do “mãos ao alto”.
LONGE DA
“MAROLINHA”
Mesmo que se leia diária e atentamente as reportagens sobre a nossa economia é difícil, muito difícil, entender o assunto até porque os artigos econômicos nunca nos permitem absorver nada não só porque não explicam direito, mas também porque ainda utilizam um “economês” que necessita de uma boa tradução. O que mais se lê é que a nossa economia superou a tal “marolinha”, que as coisas ainda estão pretas, existe grande inadimplência e que o comércio está falindo. No meio desse turbilhão chega notícia de que a velha Mesbla, uma das mais famosas redes varejista do país, que faliu em 1990, voltará em abril do ano que vem. Inicialmente seu foco serão os artigos femininos vendidos em circuito fechado
à apenas 75 mil consumidores para testar o sistema e-commerce no Brasil. A ainda não anunciada oficialmente, mas já acertada volta da Mesbla está sendo movimentada pelo Mercantil Brasileiro, a partir de um contrato assinado com Ricardo Mansur, dono da marca. Somente depois de testar a venda para convidados é que a Mesbla se instalará em novas lojas. Espera-se que nessa nova empreita pelo menos o relógio da Mesbla, antes instalado no prédio onde funciona hoje uma Lojas Americanas, na Lapa, Rio, não perca o rumo. Nem a hora.
CHATAS DE
GALOCHA
Está ficando chata essa brincadeira de pique - esconde que Madonna anda fazendo com seus fãs desde que desembarcou no Brasil. Isso sempre acontece porque artistas estrangeiros acham que fazem um grande favor de vir ao Brasil e também porque os fãs (brasileiros ou não) lhes dão muita confiança. Eu era um jovem repórter (e não vai aí nenhum saudosismo) quando fui escalado pelo jornal (uma perfeita escola) Ultima Hora, para acompanhar os passos da visita de Brigitte Bardot (na época ela era mesmo uma gracinha, como diria Hebe Camargo) e se escondia da imprensa e dos fãs, o que lhe rendeu a primeira página dos jornais durante pelo menos uma semana (artistas reclamam da mídia e dos fãs, mas sempre precisam dos dois. Cansada da brincadeira, que repetiu até na época desconhecida Búzios) Brigitte Bardot parou de esconder-se, ou seja, apareceu na janela, se deixou fotografar virou figurinha fácil. Tão fácil que acabou ficando desinteressante para a mídia que a transformou em uma quase notinha de rodapé. Lembro que ficou tão fácil dar de cara com a deliciosa BB em restaurantes e boates que não se olhava para ela com entusiasmada admiração e prazer. Pelo contrário: quando alguém anunciava que Brigitte Bardot estava chegando os assíduos frequentadores de badalados pontos de encontro noturnos (como a antiga Fiiorentina, no Leme, Rio) ficavam incomodados a ponto de alguém alertar: “Vamos embora porque lá vem aquela chata”. Madonna também acabará cansando da brincadeira e ficará desinteressante até para as fãs que, como comentou uma, acham que “ela não quer aparecer para não mostrar a verdade das rugas de sua idade”. E como Brigitte Bardot Madonna também ficará uma chata. Pior: uma chata que ainda por cima canta.
UMA PARADA
PARA A ALEGRIA
Os personagens criados por Walt Disney ainda conquistam a ingênua e entusiasmada admiração de crianças em todo o planeta e deixaram não se pode negar uma alegre saudade nos corações de várias gerações. É por isso que embora antigos estão sempre atuais e percorrendo o mundo. Pois bem, para a alegria das crianças E, por que não, dos adultos os personagens da Disney desembarcam agora no Brasil para a realização da famosa Parada Disney com carros alegóricos, os personagens mais tradicionais e 300 figurantes. O primeiro desfile da Parada será já no próximo dia 29 na orla de Copacabana, ainda a mais bonita do mundo. No dia 6 de dezembro a Parada encanta os capixabas desfilando em Vila Velha e no dia 20 de dezembro estará em São Paulo respirando aquele ar poluído que só os paulistas aguentam. Quem está trazendo o espetáculo ao Brasil é a Maior, nova empresa de entretenimento presidida por Paulo Zottolo, que já foi da Phillips. Quem paga a conta é a Nestlé, que, aliás, ultimamente anda patrocinando tudo, o que é ótimo. Os cariocas, especialmente, terão oportunidade de relembrar as maravilhosas paradas organizadas por Abraham Medina e patrocinadas pelo Rei da Voz. Medina, o pai, deixou para os filhos Ruben e Roberto o entusiasmo pelos, que costumam grandes eventos que costumam organizar com perfeição. O Rock in Rio que o diga.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO
SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO
As jóias não valem mais nada. Calma, não é que ouro, brilhantes, diamantes e outras maravilhas tenham perdido o valor financeiro. Simplesmente não podemos mais usá-las. Desfilar com um bom e bonito relógio, uma bela pulseira, Um grosso cordão ou um generoso par de brincos representa perigo. É como chamar os assaltantes para nos cercar em uma esquina qualquer (na verdade os assaltos de hoje não são mais tão disfarçados assim) e correr o sério risco de levar um tiro, uma facada ou sofrer outro tipo de covarde violência por conta de um enfeite que nos satisfaz a vaidade e o ego.
Penso nisso quando lembro de uma ao apavorada declaração do apresentador Luciano Huck que quase perdeu a vida ao ser assaltado em São Paulo por bandidos que queriam levar o seu relógio Rolex. Os ladrões sabem mais do que qualquer um de nós o que é um Rolex verdadeiro ou desses bonitinhos, mas ordinários vendidos em camelôs. Estamos condenados a não mais usar jóias, incluindo relógios só que custam dez reais cada e que mesmo assim muitas vezes são arrancados de nossos pulsos por uma violenta mão boba qualquer). Pulseiras, brincos, colares só as bijuterias e assim mesmo que não brilhem muito e, portanto, não chamem tanta atenção.
Pode parecer exagero. Não é. Há dias vi uma senhora quase ficar sem as orelhas porque seu par de brincos (bijuteria?) foi violentamente arrancado por dois pivetes enquanto ela esperava um ônibus em uma rua movimentada.
Às vezes nos chamam de exageradamente saudosistas, mas vem cá, não era bem mais confortável e tranquilo quando juntávamos dinheiro (houve época em que sobrava algum dinheirinho para guardar) para, poder comprar um bom relógio, uma jóia verdadeira. Verdadeiro agora só o medo. No pulso apenas um relógio barato que pelo menos sirva para nos mostrar que é hora de ir para casa, entrincheirar-se entre quatro paredes para escapar dessa cruel e covarde violência que aumenta todo dia.
Diga com sinceridade: agora, antes de adquirir qualquer bom e sonhado produto, você pensa duas vezes. Afinal, de que adianta ter o desejado relógio, a bela pulseira, o grosso colar se eles precisarão estar , como nós, escondidos entre quatro paredes.
Não faz, muito tempo pensei em comprar um notebook. Não comprei morrendo de medo de fazer uma besteira já não poderia levar a “máquina” para onde bem entendesse. Seria (é) um chamariz para ladrão, o que significa que para tirar o pequeno laptop de casa teria que enfiá-lo em uma mochila com roupas e outros disfarces também enfiados na mochila. Para deixar em casa é mais útil o velho computador, que se desgastou com o tempo, mas não perdeu o fôlego. Como, aliás, acontece com a maioria dos idosos.
Adquirir uma bela jóia um moderno e compacto computador não mais nos é permitido. O prazer de comprar (e usar) está fora de moda.
* Só nos restou o medo
O GOL DE PLACA
DA NOSSA TORCIDA
Os torcedores paulistas, independente do time de preferência, orgulham-se do apoio, do entusiasmo e da importante “força” que a torcida corintiana deu quando o Corinthians participou (é a chamada participação especial) da segunda divisão de um sempre primeiro futebol brasileiro. Agora a torcida carioca, independente do time de preferência, também pode gritar alto diante da demonstração de amor e esperança que a torcida vascaína mostrou (está mostrando) na disputa da série B – um B de Brasil. Contra o Juventude a torcida vascaína proporcionou, num Maracanã alegremente festivo, um recorde de público na segunda divisão e um número de torcedores de fazer inveja a qualquer escalão do futebol brasileiro. Não há dúvidas de que o show da torcida do Vasco teria a mesma proporção se os torcedores fossem do Flamengo, do Botafogo ou do Fluminense que, aliás, tem sido heróica na fase negra que o tricolor enfrenta. Pelo menos em matéria de torcida o Rio não fica devendo absolutamente nada ao economicamente poderoso futebol de São Paulo. Futebol no Rio é festa grande, como é o carnaval, a praia dos domingos ensolarados ou outras manifestações populares. A torcida carioca pode e deve orgulhar-se de seus times e de sua força torcedora. Seja com o Vasco, o Flamengo, o Fluminense ou o Botafogo o sentimento da torcida carioca não se permite morrer E esse é sem dúvida o gol mais bonito do futebol.
P. S. - É claro que sou Vasco.
ANA HICKMAN QUER
SER NEGRA E GORDA
Está lá na ótima Revista de Domingo, do Jornal do Brasil (desculpem o ótima, mas é que meu filho é o editor) a bela Ana Hickman, que já é um sucesso como apresentadora, dizendo que profissionalmente sua ambição é se tornar um misto de Jô Soares com Oprah Winfrey. Será que ela quer ser uma negra gorda?
Todos nós temos o direito, ou melhor, o dever de melhorar sempre, inclusive profissionalmente, mas Ana Eximam vem mostrando no comando do programa “Tudo é possível” (Record) que tudo é possível mesmo, desde que se enfrentemos os medos, os riscos e se mantenhamos a vontade de aprender, de melhorar, melhorar todos os dias. Foi o que aconteceu com a antes tímida Ana Hickman quando trocou as passarelas pela televisão. Com o tempo adquiriu experiência diante das sempre assustadoras câmeras impôs seu jeito bonito, bonito como ela, de apresentar qualquer tipo de atração. Hoje, reconhece, “falo pelos cotovelos, tenho que me policiar”. Ana Hickman sempre foi ávida por conhecimento e a cada dia aprende mais na televisão e fora dela. Profissionalmente Ana está nos planos de um novo programa da Rede Record que acaba e comprar os direitos (olha ai mais um besteira importada) de Project Runway, um reality show de moda que no original é apresentado pela (também belíssima) modelo alemã Heidi Klum. Tudo bem que Ana Hickman busque aprendizado nos talentos de Jô Soares e Oprah Winfrey, mas não precisa copiar nada, nem ninguém. Melhor e mais eficiente que seja ela mesma. O que já está literalmente de bom tamanho.
VESTINDO
A HIPOCRISIA
Definitivamente não é a roupa que determina o caráter, o
comportamento e a capacidade de qualquer pessoa – ainda mais em uma época em que cada um faz sua própria moda já que os estilistas ( o comércio) não conseguem mais impor o uso daquilo mostrado nas passarelas e o que só serve mesmo para estar ali,na passarela, que é apenas o palco de um show.. Assim, além de absurdo, é muito esquisito episódio (está recebendo tanta atenção que arte parece que não há com que se preocupar). É lamentável o comportamento de toda uma Faculdade (a Bandeirante, de São Bernardo, São Paulo) em torno de um simples vestido vermelho e muito menos sensual do está se querendo fazer crer. A roupa não significa nada e nem determina coisa nenhuma: houve época em que as chamadas roupas de oncinha, eram vistas como uma espécie de “uniforme de prostituta” e depois frequentaram os salões mais chiques no corpo de mulheres consideradas o máximo em elegância.
Com o agora tão polêmico vestido que usava a estudante Geisy Vila Nova Arruda, estava exibindo sua exuberância, mas não oferecia a ninguém sua abundância. Os jovens alunos, esses sim, é que parecem exageradamente interessados no abundante corpo da moça. Apesar de toda a liberdade sexual que o novo tempo permite essa a garotada que pode transar livremente (de camisinha, é claro) com a namorada ou “ficar” depois de um casual encontro em uma boate, restaurante, lanchonete, shopping e até na rua, os jovens ainda são os que mais procuram garotas de programa geralmente bem e “comportadamente” vestidas, oferecidas às pencas também via internet. A impressão é de que os alunos é que estão que vendo "prostitutas" dentro de qualquer tipo de roupa. Muitas prostitutas ( também jovens , repito, elegantemente vestidas) confirmam que os jovens são a sua clientela maior e talvez por isso eles estejam vendo e querendo coisas demais. Nada contra desejar uma mulher, desde que esse desejo, não se transforme em atitude e fantasia absurda e extremamente agressiva. Houve época em que uniformes escolares eram exigidos apenas para alunos do primário. Pelo visto agora o uniforme será obrigatório também nas faculdades, cerceando assim mais uma liberdade de expressão através da maneira de se vestir.
Até segunda ordem expulsaram a estudante (isso é autoritarismo) para supostamente dar um exemplo e preservar a imagem (mas que imagem?) da Faculdade em questão e de seus alunos. Se for adotado o caminho de julgar alguém pela roupa a Faculdade Bandeirante, assim como muitas outras, acaba tendo de expulsar vários de seus alunos. Mais do que as matérias pautadas as faculdades devem ensinar outras coisas e uma dela e uma delas é a de não ser hipócrita em uma sociedade que faz diariamente (infelizmente) da hipocrisia uma verdadeira “arma”.
NÃO FAÇA O
QUE EU FAÇO
Ainda bem que a Uniban, hoje conhecida também como UniTaleban, mudou de idéia e cancelou a absurda expulsão da aluna Geysi Arruda. Se continuasse usando a roupa como desculpa para uma atitude descabida a Uniban teria que mandar também o dono da faculdade ir desfilar em outra freguesia. O jornalista paulista Giba um lembra que Heitor Pinto e Silva Filho, o dono, sempre foi, digamos, extravagante em matéria de roupas e estética: Heitor usa os cabelos pintados em cores alternadas e há dois anos, quando se casou com Eloísa Zits, de 35 anos ( é ela quem toma conta do teatro da faculdade que agora virou um palco total,) Heitor, 61 anos, usou uma espé3ce de casaca branca (estilo redingote feminino) até os joelhos e sapatos (feitos especialmente para ele) de prepúcio de baleia branca ( a baleia deve ter ficado vermelha de dor). É bom lembrar também que Heitor Pinto e Silva Filho, era candidato à vice-prefeito de São Paulo, em 2002, na chapa de Paulo Maluf quando o candidato mor cunhou, certamente com a ajuda de seu staff, incluindo Heitor. a frase “estupra, mas não mata”. Como no episódio da jovem aluna Geysi os 700 selvagens do total de 30 mil alunos que a faculdade tem hoje gritavam “Vamos estuprar, vamos estuprar” é de se acreditar que o dono da faculdade fez escola. E a das piores.
PAREM DE
NOS ROUBAR
Aparentemente as coisas estão melhorando, mas a verdade é que houve um crescimento no nível de inadimplência (palavra que, convenhamos, de certa forma significa calote) em financeiras: passou de 17,7% para 118,8% o número de inadimplentes na faixa salarial acima de R$ 3.840, o que significa que quem ganha mais é quem paga menos. Quem O pobre vive (?) de salário mínimo paga direitinho suas pequenas prestações porque o crédito é o único patrimônio que ainda lhe permite adquirir produtos com baixas, como ele acredita prestações que o fazem pagar mais, muito mais do que o dobro por um eletrodoméstico, um guarda-roupa ou cama (sem colchão) de qualidade duvidosa. Sejamos justos: ninguém (ou, melhor, quase ninguém) que dar calote e só o faz por absoluta imposição do mercado.A inadimplência verificada junto as financeiras é, não tenho dúvidas, resultado dos extorsivos juros cobrados em todo tipo de empréstimo: o credor, paga, paga, paga e sempre deve mais. Um dia (esse dia sempre chega) percebe que já pagou bem mais do que pediu emprestado e decide parar de ser explorado e, enfim, escapar da armadilha dos juros sobre juros fugir dos juros, que são uma outra modalidade de assalto. De violência.
O endividamento geral do carioca aumento de 41,3% para 51%, segundo pesquisa realizada pela Fecomércio-RJ. A pesquisa verificou também que o carioca está pagando dívidas com mais dívidas, ou seja, para, por exemplo, pagar a um banco ou financeira faz um novo empréstimo e acaba preso em uma bola de neve que nunca para de crescer. A maior oferta de crediários em suaves (suaves nada) prestações e as facilidades para conquistar crédito e, portanto, empréstimo é, evidentemente, uma das causas da inadimplência. Foi com ofertas de crédito fácil e vantajoso (só para quem os concedia) foi o que permitiu o varejo a manter a economia no decorrer da turbulência financeira pela venda a prazo. Quem recorre a um ou mais empréstimos-créditos conta, é claro, com o salário para honrá-los, mas no dia seguinte perde o emprego, o que é comum ultimamente, e fica impossibilitado de pagar, mas a verdade é que embora as sempre complicadas pesquisas econômicas, não comprovem isso a inadimplência junto às financeiras é uma espécie de grito: “Parem de me roubar. Já pagamos demais”
SERIA CÔMICO SE
NÃO FOSSE SÉRIO
A intenção (finalidade seria exagero) do programa de televisão “Esquadrão da Moda” (SBT) é ensinar as mulheres a adequarem suas roupas corpo e estilo, quando,evidentemente, têm o tal do estilo que na maioria das vezes é apenas desculpa para cafonice e mau gosto. Nem sempre o “Esquadrão da Moda”, outro programa copiado, entre tantos muitos, da televisão estrangeira (e a gente não precisa disso), não precisa exatamente de roupas para fazer a convidada (ou convidado) vestir uma saia justa. Foi o que aconteceu recentemente com a jovem cantora (17 anos) Stefhany Brito, que é um fenômeno musical provocado pela internet, que no caso pode ser chamada de culpada. Stefhany (essa tal de numerologia está ajudando a acabar com a língua portuguesa, acrescentando ou excluindo letras malucas em nomes próprios), é piauiense de Inhuma, e foi ao usar o youtube que se transformou em sucesso (13 mil CDs vendidos de forma independente, ou seja, sem apoio de gravadora) e fez nossos ouvidos entrarem pelo cano escutando o que não chega a ser uma tragédia musical, mas é ruim, muito ruim. Voltando ao “Esquadrão da Moda” e sua saia justa (justíssima, por sinal): em recente apresentação a modelo Isabela Fiorentino, que conduz o programa, perguntou, toda sorridente, para a cantora: “Você é de Áries?”. A resposta saiu de primeira: “Não, sou do Piauí”.
E mais não se disse. Seria cômico se não fosse sério, como, aliás, muita coisa nesse país mais cômico do que sério.
NOVAS EMOÇÕES PARA
O ARTISTA QUE SE FEZ REI
Falando sério: os detalhes da carreira de Roberto Carlos nunca foram apenas de emoções e aplausos. Se hoje ele é sem dúvida o mais popular (e querido) artista do Brasil houve um tempo em que era praticamente renegado por um público que se considera mais exigente, mas nem sempre essa exigência significa exatamente qualidade. No tempo da Jovem Guarda Roberto era, sim, um artista popular entre os jovens de classe média, mas pouco ou nada reconhecido pela crítica e pela turma que se acha intelectual. Mesmo assim Roberto continuou apostando nas simples melodias de suas canções e no romantismo de suas letras que para muitos eram o cúmulo da breguice. Cantando e compondo Roberto Continuou dizendo de forma simples e, portanto, popular o que todos gostariam (e gostam: o romantismo não tem fim e muito menos prazo de validade) de dizer. Chegou aos 50 anos de carreira aplaudido e até adorado por qualquer tipo ou faixa de público. Agora RC, que se fez Rei da Canção, encerrará os festejos de seu cinqüentenário musical com a maior turnê internacional de uma vida artística de hoje respeitado sucesso e reconhecimento: serão três meses viajando ( no primeiro trimestre de 2010) pelo mundo com apresentações em dez países, entre os quais Canadá, Colômbia, México e Peru. A turnê se encerra em abril com um grande show no Rádio City Music Hall em Nova Iorque. Serão tantas e novas emoções que a caminho dos 60 aos de carreira Roberto Carlos, mais do que qualquer outro artista brasileiro, poderá dizer com a sabedoria musical de sempre, que “importante é que emoções eu vivi”. E como.
eli.halfoun@terra.com.br
As jóias não valem mais nada. Calma, não é que ouro, brilhantes, diamantes e outras maravilhas tenham perdido o valor financeiro. Simplesmente não podemos mais usá-las. Desfilar com um bom e bonito relógio, uma bela pulseira, Um grosso cordão ou um generoso par de brincos representa perigo. É como chamar os assaltantes para nos cercar em uma esquina qualquer (na verdade os assaltos de hoje não são mais tão disfarçados assim) e correr o sério risco de levar um tiro, uma facada ou sofrer outro tipo de covarde violência por conta de um enfeite que nos satisfaz a vaidade e o ego.
Penso nisso quando lembro de uma ao apavorada declaração do apresentador Luciano Huck que quase perdeu a vida ao ser assaltado em São Paulo por bandidos que queriam levar o seu relógio Rolex. Os ladrões sabem mais do que qualquer um de nós o que é um Rolex verdadeiro ou desses bonitinhos, mas ordinários vendidos em camelôs. Estamos condenados a não mais usar jóias, incluindo relógios só que custam dez reais cada e que mesmo assim muitas vezes são arrancados de nossos pulsos por uma violenta mão boba qualquer). Pulseiras, brincos, colares só as bijuterias e assim mesmo que não brilhem muito e, portanto, não chamem tanta atenção.
Pode parecer exagero. Não é. Há dias vi uma senhora quase ficar sem as orelhas porque seu par de brincos (bijuteria?) foi violentamente arrancado por dois pivetes enquanto ela esperava um ônibus em uma rua movimentada.
Às vezes nos chamam de exageradamente saudosistas, mas vem cá, não era bem mais confortável e tranquilo quando juntávamos dinheiro (houve época em que sobrava algum dinheirinho para guardar) para, poder comprar um bom relógio, uma jóia verdadeira. Verdadeiro agora só o medo. No pulso apenas um relógio barato que pelo menos sirva para nos mostrar que é hora de ir para casa, entrincheirar-se entre quatro paredes para escapar dessa cruel e covarde violência que aumenta todo dia.
Diga com sinceridade: agora, antes de adquirir qualquer bom e sonhado produto, você pensa duas vezes. Afinal, de que adianta ter o desejado relógio, a bela pulseira, o grosso colar se eles precisarão estar , como nós, escondidos entre quatro paredes.
Não faz, muito tempo pensei em comprar um notebook. Não comprei morrendo de medo de fazer uma besteira já não poderia levar a “máquina” para onde bem entendesse. Seria (é) um chamariz para ladrão, o que significa que para tirar o pequeno laptop de casa teria que enfiá-lo em uma mochila com roupas e outros disfarces também enfiados na mochila. Para deixar em casa é mais útil o velho computador, que se desgastou com o tempo, mas não perdeu o fôlego. Como, aliás, acontece com a maioria dos idosos.
Adquirir uma bela jóia um moderno e compacto computador não mais nos é permitido. O prazer de comprar (e usar) está fora de moda.
* Só nos restou o medo
O GOL DE PLACA
DA NOSSA TORCIDA
Os torcedores paulistas, independente do time de preferência, orgulham-se do apoio, do entusiasmo e da importante “força” que a torcida corintiana deu quando o Corinthians participou (é a chamada participação especial) da segunda divisão de um sempre primeiro futebol brasileiro. Agora a torcida carioca, independente do time de preferência, também pode gritar alto diante da demonstração de amor e esperança que a torcida vascaína mostrou (está mostrando) na disputa da série B – um B de Brasil. Contra o Juventude a torcida vascaína proporcionou, num Maracanã alegremente festivo, um recorde de público na segunda divisão e um número de torcedores de fazer inveja a qualquer escalão do futebol brasileiro. Não há dúvidas de que o show da torcida do Vasco teria a mesma proporção se os torcedores fossem do Flamengo, do Botafogo ou do Fluminense que, aliás, tem sido heróica na fase negra que o tricolor enfrenta. Pelo menos em matéria de torcida o Rio não fica devendo absolutamente nada ao economicamente poderoso futebol de São Paulo. Futebol no Rio é festa grande, como é o carnaval, a praia dos domingos ensolarados ou outras manifestações populares. A torcida carioca pode e deve orgulhar-se de seus times e de sua força torcedora. Seja com o Vasco, o Flamengo, o Fluminense ou o Botafogo o sentimento da torcida carioca não se permite morrer E esse é sem dúvida o gol mais bonito do futebol.
P. S. - É claro que sou Vasco.
ANA HICKMAN QUER
SER NEGRA E GORDA
Está lá na ótima Revista de Domingo, do Jornal do Brasil (desculpem o ótima, mas é que meu filho é o editor) a bela Ana Hickman, que já é um sucesso como apresentadora, dizendo que profissionalmente sua ambição é se tornar um misto de Jô Soares com Oprah Winfrey. Será que ela quer ser uma negra gorda?
Todos nós temos o direito, ou melhor, o dever de melhorar sempre, inclusive profissionalmente, mas Ana Eximam vem mostrando no comando do programa “Tudo é possível” (Record) que tudo é possível mesmo, desde que se enfrentemos os medos, os riscos e se mantenhamos a vontade de aprender, de melhorar, melhorar todos os dias. Foi o que aconteceu com a antes tímida Ana Hickman quando trocou as passarelas pela televisão. Com o tempo adquiriu experiência diante das sempre assustadoras câmeras impôs seu jeito bonito, bonito como ela, de apresentar qualquer tipo de atração. Hoje, reconhece, “falo pelos cotovelos, tenho que me policiar”. Ana Hickman sempre foi ávida por conhecimento e a cada dia aprende mais na televisão e fora dela. Profissionalmente Ana está nos planos de um novo programa da Rede Record que acaba e comprar os direitos (olha ai mais um besteira importada) de Project Runway, um reality show de moda que no original é apresentado pela (também belíssima) modelo alemã Heidi Klum. Tudo bem que Ana Hickman busque aprendizado nos talentos de Jô Soares e Oprah Winfrey, mas não precisa copiar nada, nem ninguém. Melhor e mais eficiente que seja ela mesma. O que já está literalmente de bom tamanho.
VESTINDO
A HIPOCRISIA
Definitivamente não é a roupa que determina o caráter, o
comportamento e a capacidade de qualquer pessoa – ainda mais em uma época em que cada um faz sua própria moda já que os estilistas ( o comércio) não conseguem mais impor o uso daquilo mostrado nas passarelas e o que só serve mesmo para estar ali,na passarela, que é apenas o palco de um show.. Assim, além de absurdo, é muito esquisito episódio (está recebendo tanta atenção que arte parece que não há com que se preocupar). É lamentável o comportamento de toda uma Faculdade (a Bandeirante, de São Bernardo, São Paulo) em torno de um simples vestido vermelho e muito menos sensual do está se querendo fazer crer. A roupa não significa nada e nem determina coisa nenhuma: houve época em que as chamadas roupas de oncinha, eram vistas como uma espécie de “uniforme de prostituta” e depois frequentaram os salões mais chiques no corpo de mulheres consideradas o máximo em elegância.
Com o agora tão polêmico vestido que usava a estudante Geisy Vila Nova Arruda, estava exibindo sua exuberância, mas não oferecia a ninguém sua abundância. Os jovens alunos, esses sim, é que parecem exageradamente interessados no abundante corpo da moça. Apesar de toda a liberdade sexual que o novo tempo permite essa a garotada que pode transar livremente (de camisinha, é claro) com a namorada ou “ficar” depois de um casual encontro em uma boate, restaurante, lanchonete, shopping e até na rua, os jovens ainda são os que mais procuram garotas de programa geralmente bem e “comportadamente” vestidas, oferecidas às pencas também via internet. A impressão é de que os alunos é que estão que vendo "prostitutas" dentro de qualquer tipo de roupa. Muitas prostitutas ( também jovens , repito, elegantemente vestidas) confirmam que os jovens são a sua clientela maior e talvez por isso eles estejam vendo e querendo coisas demais. Nada contra desejar uma mulher, desde que esse desejo, não se transforme em atitude e fantasia absurda e extremamente agressiva. Houve época em que uniformes escolares eram exigidos apenas para alunos do primário. Pelo visto agora o uniforme será obrigatório também nas faculdades, cerceando assim mais uma liberdade de expressão através da maneira de se vestir.
Até segunda ordem expulsaram a estudante (isso é autoritarismo) para supostamente dar um exemplo e preservar a imagem (mas que imagem?) da Faculdade em questão e de seus alunos. Se for adotado o caminho de julgar alguém pela roupa a Faculdade Bandeirante, assim como muitas outras, acaba tendo de expulsar vários de seus alunos. Mais do que as matérias pautadas as faculdades devem ensinar outras coisas e uma dela e uma delas é a de não ser hipócrita em uma sociedade que faz diariamente (infelizmente) da hipocrisia uma verdadeira “arma”.
NÃO FAÇA O
QUE EU FAÇO
Ainda bem que a Uniban, hoje conhecida também como UniTaleban, mudou de idéia e cancelou a absurda expulsão da aluna Geysi Arruda. Se continuasse usando a roupa como desculpa para uma atitude descabida a Uniban teria que mandar também o dono da faculdade ir desfilar em outra freguesia. O jornalista paulista Giba um lembra que Heitor Pinto e Silva Filho, o dono, sempre foi, digamos, extravagante em matéria de roupas e estética: Heitor usa os cabelos pintados em cores alternadas e há dois anos, quando se casou com Eloísa Zits, de 35 anos ( é ela quem toma conta do teatro da faculdade que agora virou um palco total,) Heitor, 61 anos, usou uma espé3ce de casaca branca (estilo redingote feminino) até os joelhos e sapatos (feitos especialmente para ele) de prepúcio de baleia branca ( a baleia deve ter ficado vermelha de dor). É bom lembrar também que Heitor Pinto e Silva Filho, era candidato à vice-prefeito de São Paulo, em 2002, na chapa de Paulo Maluf quando o candidato mor cunhou, certamente com a ajuda de seu staff, incluindo Heitor. a frase “estupra, mas não mata”. Como no episódio da jovem aluna Geysi os 700 selvagens do total de 30 mil alunos que a faculdade tem hoje gritavam “Vamos estuprar, vamos estuprar” é de se acreditar que o dono da faculdade fez escola. E a das piores.
PAREM DE
NOS ROUBAR
Aparentemente as coisas estão melhorando, mas a verdade é que houve um crescimento no nível de inadimplência (palavra que, convenhamos, de certa forma significa calote) em financeiras: passou de 17,7% para 118,8% o número de inadimplentes na faixa salarial acima de R$ 3.840, o que significa que quem ganha mais é quem paga menos. Quem O pobre vive (?) de salário mínimo paga direitinho suas pequenas prestações porque o crédito é o único patrimônio que ainda lhe permite adquirir produtos com baixas, como ele acredita prestações que o fazem pagar mais, muito mais do que o dobro por um eletrodoméstico, um guarda-roupa ou cama (sem colchão) de qualidade duvidosa. Sejamos justos: ninguém (ou, melhor, quase ninguém) que dar calote e só o faz por absoluta imposição do mercado.A inadimplência verificada junto as financeiras é, não tenho dúvidas, resultado dos extorsivos juros cobrados em todo tipo de empréstimo: o credor, paga, paga, paga e sempre deve mais. Um dia (esse dia sempre chega) percebe que já pagou bem mais do que pediu emprestado e decide parar de ser explorado e, enfim, escapar da armadilha dos juros sobre juros fugir dos juros, que são uma outra modalidade de assalto. De violência.
O endividamento geral do carioca aumento de 41,3% para 51%, segundo pesquisa realizada pela Fecomércio-RJ. A pesquisa verificou também que o carioca está pagando dívidas com mais dívidas, ou seja, para, por exemplo, pagar a um banco ou financeira faz um novo empréstimo e acaba preso em uma bola de neve que nunca para de crescer. A maior oferta de crediários em suaves (suaves nada) prestações e as facilidades para conquistar crédito e, portanto, empréstimo é, evidentemente, uma das causas da inadimplência. Foi com ofertas de crédito fácil e vantajoso (só para quem os concedia) foi o que permitiu o varejo a manter a economia no decorrer da turbulência financeira pela venda a prazo. Quem recorre a um ou mais empréstimos-créditos conta, é claro, com o salário para honrá-los, mas no dia seguinte perde o emprego, o que é comum ultimamente, e fica impossibilitado de pagar, mas a verdade é que embora as sempre complicadas pesquisas econômicas, não comprovem isso a inadimplência junto às financeiras é uma espécie de grito: “Parem de me roubar. Já pagamos demais”
SERIA CÔMICO SE
NÃO FOSSE SÉRIO
A intenção (finalidade seria exagero) do programa de televisão “Esquadrão da Moda” (SBT) é ensinar as mulheres a adequarem suas roupas corpo e estilo, quando,evidentemente, têm o tal do estilo que na maioria das vezes é apenas desculpa para cafonice e mau gosto. Nem sempre o “Esquadrão da Moda”, outro programa copiado, entre tantos muitos, da televisão estrangeira (e a gente não precisa disso), não precisa exatamente de roupas para fazer a convidada (ou convidado) vestir uma saia justa. Foi o que aconteceu recentemente com a jovem cantora (17 anos) Stefhany Brito, que é um fenômeno musical provocado pela internet, que no caso pode ser chamada de culpada. Stefhany (essa tal de numerologia está ajudando a acabar com a língua portuguesa, acrescentando ou excluindo letras malucas em nomes próprios), é piauiense de Inhuma, e foi ao usar o youtube que se transformou em sucesso (13 mil CDs vendidos de forma independente, ou seja, sem apoio de gravadora) e fez nossos ouvidos entrarem pelo cano escutando o que não chega a ser uma tragédia musical, mas é ruim, muito ruim. Voltando ao “Esquadrão da Moda” e sua saia justa (justíssima, por sinal): em recente apresentação a modelo Isabela Fiorentino, que conduz o programa, perguntou, toda sorridente, para a cantora: “Você é de Áries?”. A resposta saiu de primeira: “Não, sou do Piauí”.
E mais não se disse. Seria cômico se não fosse sério, como, aliás, muita coisa nesse país mais cômico do que sério.
NOVAS EMOÇÕES PARA
O ARTISTA QUE SE FEZ REI
Falando sério: os detalhes da carreira de Roberto Carlos nunca foram apenas de emoções e aplausos. Se hoje ele é sem dúvida o mais popular (e querido) artista do Brasil houve um tempo em que era praticamente renegado por um público que se considera mais exigente, mas nem sempre essa exigência significa exatamente qualidade. No tempo da Jovem Guarda Roberto era, sim, um artista popular entre os jovens de classe média, mas pouco ou nada reconhecido pela crítica e pela turma que se acha intelectual. Mesmo assim Roberto continuou apostando nas simples melodias de suas canções e no romantismo de suas letras que para muitos eram o cúmulo da breguice. Cantando e compondo Roberto Continuou dizendo de forma simples e, portanto, popular o que todos gostariam (e gostam: o romantismo não tem fim e muito menos prazo de validade) de dizer. Chegou aos 50 anos de carreira aplaudido e até adorado por qualquer tipo ou faixa de público. Agora RC, que se fez Rei da Canção, encerrará os festejos de seu cinqüentenário musical com a maior turnê internacional de uma vida artística de hoje respeitado sucesso e reconhecimento: serão três meses viajando ( no primeiro trimestre de 2010) pelo mundo com apresentações em dez países, entre os quais Canadá, Colômbia, México e Peru. A turnê se encerra em abril com um grande show no Rádio City Music Hall em Nova Iorque. Serão tantas e novas emoções que a caminho dos 60 aos de carreira Roberto Carlos, mais do que qualquer outro artista brasileiro, poderá dizer com a sabedoria musical de sempre, que “importante é que emoções eu vivi”. E como.
eli.halfoun@terra.com.br
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
FELIZ ANO VELHO. É ISSO QUE VALE
O ano novo está praticamente aí. É época para que jornais, revistas e todos os outros meios de comunicação escrevam sobre previsões, promessas, planos, felicidade, dinheiro, como e sonhos, como se tudo isso não devesse estar presente o ano inteiro. A chegada de um novo ano no calendário cria uma espécie de euforia coletiva que acaba nos fazendo esquecer que o novo ano é apenas a continuação do velho e que por isso mesmo todo dia devia ser de ano novo, ou melhor, de planos, promessas e sonhos. Principalmente sonhos.
Não há nenhum mal em fazer promessas e construir planos, mesmo sabendo que serão esquecidos logo nos primeiros dias de janeiro, quando a euforia terá terminado e as dívidas aumentado. O ideal é que todos os dias sejam de esperança e amor. O ano novo não representará absolutamente nada se ao final de 2009 não pudermos dar continuidade ao que se conquistou (mesmo que seja pouco) nos novos 365 dias que começam agora, até porque, como diz a sabedoria popular, a vida continua. Continua sempre.
O clima festivo de fim de ano, o entusiasmo com a compra de presentes (na verdade o que se compra são mais dívidas) e com o dinheiro extra do 13º salário (nem tão extra assim já que esperamos e gastamos o décimo terceiro o ano inteiro). A festa acaba criando também um tempo de falsas promessas. Que se perdem no meio da própria festa entre uma e outra taça de espumante.
A confraternização e o carinho expresso são marcas dos dias que anunciam a chegada do novo ano. Parece que uma força estranha faz com que as pessoas percam o medo de assumir o carinho e o amor umas pelas outras. Não ter medo do carinho e do amor explícitos é a única coisa que pode realmente mudar o comportamento de qualquer um de nós no ano novo, que daqui a pouco será ano velho e quando olharmos para trás descobriremos que não fizemos nada ou quase nada do que na euforia da festa colocamos como meta. A meta de qualquer ano e qualquer época tem de ser SEMPRE a solidariedade e o amor. Só quando nos sentirmos assim todo o tempo qualquer ano será mais feliz o ano inteiro.
Mesmo que seja só da boca pra fora o desejo nesse momento exageradamente eufórico é de prosperidade para todos. Prosperidade especialmente afetiva porque a financeira nos livra de dívidas, mas também no acomoda e pode trazer – como traz – traquilidade e conforto, mas certamente não traz o que mais desejamos: felicidade. O ano todo
As coisas seriam mais intensas e melhores se ao final de cada ano pudéssemos sim ter o que comemorar e esperar. O ano novo só será realmente ótimo quando pudermos dizer em coro “feliz ano velho”.
* Aí a vida terá valido a pena
BREVÊ PRESIDENCIAL
Os críticos do presidente Lula (e ele tem muitos apesar de sua imensa popularidade) estão implicando agora com as viagens presidenciais e dizem que Lula já pode tirar brevê: até o final do ano totalizará 81 dias fora do Brasil período, escalonado, é verdade, em que visitou 30 países, quatro a mais das visitas contabilizadas no ano passado quando ficou 70 dias fora do Brasil. Nos próximos dias 15 e 16 o presidente viaja outra vez para participar do encontro Programa das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que será realizado em Roma, Itália. Em dezembro outra viagem dessa vez para Estoril, Portugal, onde acontecerá a Cúpula Ibero-Americana. O que não se pode negar é que Lula só viaja muito porque fez o Brasil ser respeitado e admirado no mundo.
* Como esse país nunca foi
DINHEIRO, PRA QUE DINHEIRO?
A idéia é a de que o dinheirão de impostos que o trabalhador brasileiro paga exageradamente seja aplicado em saúde, educação e outras prioridades, mas não é exatamente o que acontece. Tem, como sempre, muito dinheiro sendo gasto inutilmente. Anote aí: a Presidência da República investiu R$ 73 mil na compra de 1.782 sapatos masculinos pretos em couro legítimo, com forro interno e palmilha antitranspirante que evita chulé, mas não evita o fedor da sujeira política. Mais R$ 4,3 mil foram utilizados na compra de 18 coturnos pretos de couro. A farra com o nosso suado dinheirinho não se limita a Presidência da República: o Senado também entrou na dança gastando R$7,3 mil na compra de coroas de flores nobres, além de R$ 281 mil com a empresa responsável por serviços de condução e de manutenção de veículos da casa (se a casa tem veículos para que precisa de serviços de condução?). A Câmara não poderia, é claro, ficar fora dessa festa e aplicou R$ 3,2 mil em serviços de lavagem de cortinas, forros e carpetes de seus imóveis funcionais (pelo menos ao contrário dos deputados os imóveis são funcionais), além de R$ 2,3 mil na compra de 30 carrinhos de mão. Deve ser para carregar o salário e o por fora...
REMÉDIOS DOENTES
“Vai um remedinho aí?" – remedinhos de todos os tipos e para todos os fins são oferecidos (e, o que é pior, aceitos) como um delicioso bombom. Medicamentos são formulados quase que diariamente (tem sempre uma novidade, muitas vezes nem tão eficiente, no mercado) para enriquecer cada vez mais os laboratórios e para minimizar as mazelas de saúde que inevitavelmente enfrentamos durante a vida. Esse quase vício de tomar um comprimidinho para isso, outro para aquilo acaba transformando-se em sério risco com a auto medicação, que é também consequência da falta de orientação médica para a maior parcela da população que sem ter onde buscar uma consulta e um atendimento eficaz aceita o conselho quase sempre milagroso dos vizinhos, dos parentes e até de quem mal conhece. Assim se expõe a um nada saudável risco que pode estar até no mais popular dos comprimidos como, por exemplo, a aspirina.
Recente pesquisa realizada na Inglaterra garante que a tão popular e consumida aspirina pode causar sangramentos internos sérios e não previne como ainda se acredita doenças cardiovasculares. A pesquisa realizada com base em estudo britânico publicado recentemente em respeitada revista médica recomenda que os médicos revejam a prescrição de aspirina como preventivo para asa doenças do coração. Pesquisas e estudos com medicamentos conhecidos são anunciados diariamente, sempre com uma suposta novidade deixando a medicina mais confusa do que já é. Nenhuma pesquisa impede inicialmente a auto-medicação - essa sim e também uma doença gravíssima.
PIADA PRONTA
E DE MAU GOSTO
Costuma-se dizer que o Brasil é o país da piada pronta e a cada dia essas pessoas que acham que mandam muito, mas não mandam nada se encarregam de confirmar isso. Agora é a vez de José Mariano Beltrame, o secretário estadual de Segurança Pública, que já vem tentando fazer graça há muito tempo, aumentar o seu rol de piadas sem graça. Não é que ele teve a cara de pau, em meio aos tiroteios e assaltos que apavoram a cidade, de dizer na Câmara dos Deputados, em Brasília (onde devia comparecer para dar voz de prisão a muita gente) que “o Rio não é violento”. Vai ver o nosso secretário de (in) segurança mora em outro estrado ou país. Para justificar tão absurda comparação José Mariano apresentou índices de criminalidade em algumas áreas da cidade que podem ser comparados aos de países europeus. Primeiro estamos (nós, todos os cariocas) loucos para descobrir que áreas são essas que a gente procura, procura, procura... e não acha. Segundo: índices europeus (de violência ou qualquer outra coisa) nada têm a ver com a realidade brasileira seja no que diz respeito ao comportamento da população, aos salários e principalmente a qualidade de vida, especialmente no que diz respeito ao trabalho de segurança pública. Beltrame, que tem tudo para acabar no elenco do humorístico “Zorra Total”, disse ainda que a questão da criminalidade no Rio está restrita a determinadas regiões onde “existem núcleos de violência”. Pelo que se vê e lê o Rio é um núcleo só. De violência, é claro.
Como a preocupação com a Olimpíada já virou (como era de se esperar) desculpa pra tudo o secretário estadual de Segurança Pública não ficou fora dessa e mandou ver dizendo que está preocupado em melhorar os índices de segurança para a Olimpíada 2016. Quer dizer que a segurança pode melhorar e se pode, por que e para que esperar até 20116 deixando até lá o povo no meio desse cada dia mais cruel fogo cruzado de algumas (vai ver ele quis dizer todas) as áreas. E depois de 2016 como é que fica? Sem mídia, que será grande durante a Olimpíada, a tendência é o Estado ficar entregue as baratas e aos ratos, o que, pensando bem, já está. Aliás, a manchete do jornal Povo resumiu bem o que o carioca certamente pensa das declarações do Secretário de Segurança: “Ele só pode estar de sacanagem”. Ta mesmo.
BRASIL MOSTRA A TUA CARA
Que venham os turistas estrangeiros com seus euros (nesse momento nós e o mundo estamos dispensando dólares) atraídos por nossas imbatíveis belezas naturais e por outras ofertas nada recomendáveis. Embora os gringos sejam importantes turisticamente não se pode esquecer o chamado turismo interno que também é uma alta fonte de renda. O turismo interno, ou melhor, os brasileiros descobrindo, enfim, o Brasil e percebendo que a sempre tão sonhada Miami é uma fria. Parece que pelo menos turisticamente o Brasil está finalmente ficando nas mãos dos brasileiros que proporcionaram um aumento de 83% em número de viagens turísticas em relação ao total registrado entre 2005 e 2007. Recente estudo mostra que esse crescimento ocorreu pela maior participação das classes C e D no consumo. Não é quem ganha altos salário (alto salário nesse país de mínimo salário mínimo é quase ficção) o viajante mais comum: pesquisa do Instituto Vox Populi ( realizada entre 17 de junho e 17 de julho desse ano) revela que nos dois últimos ano 35,5% das pessoas que viajaram ganham até cinco salários mínimos e 61%estão ente os que recebem até dez mínimos Entre os felizardos que ganham mais do que dez mínimos os turistas representam 39%.
A maioria (63,2%) prefere pagar a viagens à vista, mas 36,8% na dispensam as suaves ( nem sempre tão suaves assim) prestações e 64% preferem “turistar” em cidades de praia, principalmente da Região Nordeste. Nenhuma novidade na confirmação de que a festiva Bahia é o destino preferido de 11,6% dos entrevistados. Afinal, o brasileiro gosta é de festa e o Brasil é, em todos os sentidos, uma festa. Para o Ministério do Turismo o aumento do turismo interno reflete o maior crescimento da economia, sobretudo em 2007, e melhoria no mercado de trabalho. Um dado que a pesquisa não revela, mas que está na cara é o de que tem muita gente viajando apenas em busca de paz e aí a solução é fugir da violência implantada (parece que definitivamente) nos grandes centros urbanos. Nossos turistas preferem (41,8%) viajar de carro, o que confirma a necessidade de maior fiscalização nas estradas, inclusive da lei seca, sempre muito criticada, mas sem dúvida eficiente. Boa parte (33.5%) dos turistas prefere o avião, o que não deixa de ser um bom programa para quem gosta de sofrer nos nossos nada confortáveis aeroportos. Há (23,8%) ainda preferem os ônibus.
Os dados não deixam de ser um alerta para a necessidade de incentivar cada vez mais o turismo interno. Só assim os brasileiros poderão descobrir o Brasil. É verdade que apenas um Brasil de cartão postal e não o Brasil pé no chão, escravizado pela falta de condições sociais, sofrido, massacrado e esquecido. É esse Brasil que, com ou sem turismo, precisa ser lembrado e descoberto. Principalmente por aqueles que o governam.
SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO
No movimentado blog paniscumovovum o jornalista Gonça praticamente esgotou o assunto em torno da polêmica (diria até grosseira, mesmo que verdadeira) declaração de Caetano Veloso ao manifestar seu apoio à candidatura Marina Silva à Presidência da República (“É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro”). Assim como qualquer um Caetano tem, sim, o direito de pensar o que quiser e o também democrático direito de expressar sua opinião, até quando o faz com a mesma grosseria que aponta no presidente. Anotem aí: esse episódio não ficará apenas no disse-me disse. Lula certamente vai reagir e também está em seu pleno direito democrático. Certamente a intenção de Caetano não era a de ganhar espaço na mídia que esse ele e seu indiscutível talento musical nem precisam mais, mas a bombástica declaração repercutiu e continuará repercutindo e dividindo opiniões, o que é saudável no também saudável jogo democrático. O mais engraçado é que esse agora falastrão Caetano era duramente criticado quando com preguiça baiana limitava-se a responder com um “é”, “pois é” ou um simples “sei não” as perguntas que lhe eram feitas. Ninguém gostava (virou até motivo de gozação) do tom monossilábico de Caetano como parece não estar gostado agora quando ele mostra não ter papas na língua. Essa discussão ainda renderá muito e acabará sem qualquer conclusão como, aliás, acontece sempre na política. Então vamos ficar assim: eles que são nordestinos que se entendam”. Se é que é possível.
CARIOCA IMPORTADO
NÃO É CARIOCA
Apesar da exagerada papagaiada em tudo (comportamento, figurinos, gesticulação) todo mundo gosta e se diverte com o personagem Zé Carioca, criado em 1942 nos estúdios Walt Disney para incrementar as relações com o Brasil na segunda guerra mundial. As novas gerações nem conhecem tanto assim um dois mais populares personagens de Disney, mas as mais velhas certamente divertiram-se bastante com o desenho animado (longa-metragem que tinha Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, como tema musical) e as histórias em quadrinhos. Zé Carioca era sem dúvida muito divertido, mas isso não o credencia a ser o mascote, como foi sugerido, da Olimpíada de 2016 que será realizada no Rio, se o Rio cumprir direitinho ( é aí que a porca torce o rabo) tudo o que prometeu. A Proposta de oficializar Zé Carioca como mascote certamente nem está sendo levada muito a sério, embora não se possa negar que ao lado do Pato Donald e, depois, dos Três Porquinhos e Panchito, Zé Carioca divulgou muito o Brasil. Afinal, o Rio tem artistas plásticos criativos e excelentes e não precisa importar um símbolo criado nos Estados Unidos e hoje completamente fora de forma. O Rio precisa criar seu próprio símbolo para a Olimpíada, mas não me venham com aqueles repetitivos bonecos de calça branca, camisa listrada e chapéu de palha. O Rio é muito mais do que isso. Merece mais do que um americanizado Zé Carioca.
Não há nenhum mal em fazer promessas e construir planos, mesmo sabendo que serão esquecidos logo nos primeiros dias de janeiro, quando a euforia terá terminado e as dívidas aumentado. O ideal é que todos os dias sejam de esperança e amor. O ano novo não representará absolutamente nada se ao final de 2009 não pudermos dar continuidade ao que se conquistou (mesmo que seja pouco) nos novos 365 dias que começam agora, até porque, como diz a sabedoria popular, a vida continua. Continua sempre.
O clima festivo de fim de ano, o entusiasmo com a compra de presentes (na verdade o que se compra são mais dívidas) e com o dinheiro extra do 13º salário (nem tão extra assim já que esperamos e gastamos o décimo terceiro o ano inteiro). A festa acaba criando também um tempo de falsas promessas. Que se perdem no meio da própria festa entre uma e outra taça de espumante.
A confraternização e o carinho expresso são marcas dos dias que anunciam a chegada do novo ano. Parece que uma força estranha faz com que as pessoas percam o medo de assumir o carinho e o amor umas pelas outras. Não ter medo do carinho e do amor explícitos é a única coisa que pode realmente mudar o comportamento de qualquer um de nós no ano novo, que daqui a pouco será ano velho e quando olharmos para trás descobriremos que não fizemos nada ou quase nada do que na euforia da festa colocamos como meta. A meta de qualquer ano e qualquer época tem de ser SEMPRE a solidariedade e o amor. Só quando nos sentirmos assim todo o tempo qualquer ano será mais feliz o ano inteiro.
Mesmo que seja só da boca pra fora o desejo nesse momento exageradamente eufórico é de prosperidade para todos. Prosperidade especialmente afetiva porque a financeira nos livra de dívidas, mas também no acomoda e pode trazer – como traz – traquilidade e conforto, mas certamente não traz o que mais desejamos: felicidade. O ano todo
As coisas seriam mais intensas e melhores se ao final de cada ano pudéssemos sim ter o que comemorar e esperar. O ano novo só será realmente ótimo quando pudermos dizer em coro “feliz ano velho”.
* Aí a vida terá valido a pena
BREVÊ PRESIDENCIAL
Os críticos do presidente Lula (e ele tem muitos apesar de sua imensa popularidade) estão implicando agora com as viagens presidenciais e dizem que Lula já pode tirar brevê: até o final do ano totalizará 81 dias fora do Brasil período, escalonado, é verdade, em que visitou 30 países, quatro a mais das visitas contabilizadas no ano passado quando ficou 70 dias fora do Brasil. Nos próximos dias 15 e 16 o presidente viaja outra vez para participar do encontro Programa das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que será realizado em Roma, Itália. Em dezembro outra viagem dessa vez para Estoril, Portugal, onde acontecerá a Cúpula Ibero-Americana. O que não se pode negar é que Lula só viaja muito porque fez o Brasil ser respeitado e admirado no mundo.
* Como esse país nunca foi
DINHEIRO, PRA QUE DINHEIRO?
A idéia é a de que o dinheirão de impostos que o trabalhador brasileiro paga exageradamente seja aplicado em saúde, educação e outras prioridades, mas não é exatamente o que acontece. Tem, como sempre, muito dinheiro sendo gasto inutilmente. Anote aí: a Presidência da República investiu R$ 73 mil na compra de 1.782 sapatos masculinos pretos em couro legítimo, com forro interno e palmilha antitranspirante que evita chulé, mas não evita o fedor da sujeira política. Mais R$ 4,3 mil foram utilizados na compra de 18 coturnos pretos de couro. A farra com o nosso suado dinheirinho não se limita a Presidência da República: o Senado também entrou na dança gastando R$7,3 mil na compra de coroas de flores nobres, além de R$ 281 mil com a empresa responsável por serviços de condução e de manutenção de veículos da casa (se a casa tem veículos para que precisa de serviços de condução?). A Câmara não poderia, é claro, ficar fora dessa festa e aplicou R$ 3,2 mil em serviços de lavagem de cortinas, forros e carpetes de seus imóveis funcionais (pelo menos ao contrário dos deputados os imóveis são funcionais), além de R$ 2,3 mil na compra de 30 carrinhos de mão. Deve ser para carregar o salário e o por fora...
REMÉDIOS DOENTES
“Vai um remedinho aí?" – remedinhos de todos os tipos e para todos os fins são oferecidos (e, o que é pior, aceitos) como um delicioso bombom. Medicamentos são formulados quase que diariamente (tem sempre uma novidade, muitas vezes nem tão eficiente, no mercado) para enriquecer cada vez mais os laboratórios e para minimizar as mazelas de saúde que inevitavelmente enfrentamos durante a vida. Esse quase vício de tomar um comprimidinho para isso, outro para aquilo acaba transformando-se em sério risco com a auto medicação, que é também consequência da falta de orientação médica para a maior parcela da população que sem ter onde buscar uma consulta e um atendimento eficaz aceita o conselho quase sempre milagroso dos vizinhos, dos parentes e até de quem mal conhece. Assim se expõe a um nada saudável risco que pode estar até no mais popular dos comprimidos como, por exemplo, a aspirina.
Recente pesquisa realizada na Inglaterra garante que a tão popular e consumida aspirina pode causar sangramentos internos sérios e não previne como ainda se acredita doenças cardiovasculares. A pesquisa realizada com base em estudo britânico publicado recentemente em respeitada revista médica recomenda que os médicos revejam a prescrição de aspirina como preventivo para asa doenças do coração. Pesquisas e estudos com medicamentos conhecidos são anunciados diariamente, sempre com uma suposta novidade deixando a medicina mais confusa do que já é. Nenhuma pesquisa impede inicialmente a auto-medicação - essa sim e também uma doença gravíssima.
PIADA PRONTA
E DE MAU GOSTO
Costuma-se dizer que o Brasil é o país da piada pronta e a cada dia essas pessoas que acham que mandam muito, mas não mandam nada se encarregam de confirmar isso. Agora é a vez de José Mariano Beltrame, o secretário estadual de Segurança Pública, que já vem tentando fazer graça há muito tempo, aumentar o seu rol de piadas sem graça. Não é que ele teve a cara de pau, em meio aos tiroteios e assaltos que apavoram a cidade, de dizer na Câmara dos Deputados, em Brasília (onde devia comparecer para dar voz de prisão a muita gente) que “o Rio não é violento”. Vai ver o nosso secretário de (in) segurança mora em outro estrado ou país. Para justificar tão absurda comparação José Mariano apresentou índices de criminalidade em algumas áreas da cidade que podem ser comparados aos de países europeus. Primeiro estamos (nós, todos os cariocas) loucos para descobrir que áreas são essas que a gente procura, procura, procura... e não acha. Segundo: índices europeus (de violência ou qualquer outra coisa) nada têm a ver com a realidade brasileira seja no que diz respeito ao comportamento da população, aos salários e principalmente a qualidade de vida, especialmente no que diz respeito ao trabalho de segurança pública. Beltrame, que tem tudo para acabar no elenco do humorístico “Zorra Total”, disse ainda que a questão da criminalidade no Rio está restrita a determinadas regiões onde “existem núcleos de violência”. Pelo que se vê e lê o Rio é um núcleo só. De violência, é claro.
Como a preocupação com a Olimpíada já virou (como era de se esperar) desculpa pra tudo o secretário estadual de Segurança Pública não ficou fora dessa e mandou ver dizendo que está preocupado em melhorar os índices de segurança para a Olimpíada 2016. Quer dizer que a segurança pode melhorar e se pode, por que e para que esperar até 20116 deixando até lá o povo no meio desse cada dia mais cruel fogo cruzado de algumas (vai ver ele quis dizer todas) as áreas. E depois de 2016 como é que fica? Sem mídia, que será grande durante a Olimpíada, a tendência é o Estado ficar entregue as baratas e aos ratos, o que, pensando bem, já está. Aliás, a manchete do jornal Povo resumiu bem o que o carioca certamente pensa das declarações do Secretário de Segurança: “Ele só pode estar de sacanagem”. Ta mesmo.
BRASIL MOSTRA A TUA CARA
Que venham os turistas estrangeiros com seus euros (nesse momento nós e o mundo estamos dispensando dólares) atraídos por nossas imbatíveis belezas naturais e por outras ofertas nada recomendáveis. Embora os gringos sejam importantes turisticamente não se pode esquecer o chamado turismo interno que também é uma alta fonte de renda. O turismo interno, ou melhor, os brasileiros descobrindo, enfim, o Brasil e percebendo que a sempre tão sonhada Miami é uma fria. Parece que pelo menos turisticamente o Brasil está finalmente ficando nas mãos dos brasileiros que proporcionaram um aumento de 83% em número de viagens turísticas em relação ao total registrado entre 2005 e 2007. Recente estudo mostra que esse crescimento ocorreu pela maior participação das classes C e D no consumo. Não é quem ganha altos salário (alto salário nesse país de mínimo salário mínimo é quase ficção) o viajante mais comum: pesquisa do Instituto Vox Populi ( realizada entre 17 de junho e 17 de julho desse ano) revela que nos dois últimos ano 35,5% das pessoas que viajaram ganham até cinco salários mínimos e 61%estão ente os que recebem até dez mínimos Entre os felizardos que ganham mais do que dez mínimos os turistas representam 39%.
A maioria (63,2%) prefere pagar a viagens à vista, mas 36,8% na dispensam as suaves ( nem sempre tão suaves assim) prestações e 64% preferem “turistar” em cidades de praia, principalmente da Região Nordeste. Nenhuma novidade na confirmação de que a festiva Bahia é o destino preferido de 11,6% dos entrevistados. Afinal, o brasileiro gosta é de festa e o Brasil é, em todos os sentidos, uma festa. Para o Ministério do Turismo o aumento do turismo interno reflete o maior crescimento da economia, sobretudo em 2007, e melhoria no mercado de trabalho. Um dado que a pesquisa não revela, mas que está na cara é o de que tem muita gente viajando apenas em busca de paz e aí a solução é fugir da violência implantada (parece que definitivamente) nos grandes centros urbanos. Nossos turistas preferem (41,8%) viajar de carro, o que confirma a necessidade de maior fiscalização nas estradas, inclusive da lei seca, sempre muito criticada, mas sem dúvida eficiente. Boa parte (33.5%) dos turistas prefere o avião, o que não deixa de ser um bom programa para quem gosta de sofrer nos nossos nada confortáveis aeroportos. Há (23,8%) ainda preferem os ônibus.
Os dados não deixam de ser um alerta para a necessidade de incentivar cada vez mais o turismo interno. Só assim os brasileiros poderão descobrir o Brasil. É verdade que apenas um Brasil de cartão postal e não o Brasil pé no chão, escravizado pela falta de condições sociais, sofrido, massacrado e esquecido. É esse Brasil que, com ou sem turismo, precisa ser lembrado e descoberto. Principalmente por aqueles que o governam.
SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO
No movimentado blog paniscumovovum o jornalista Gonça praticamente esgotou o assunto em torno da polêmica (diria até grosseira, mesmo que verdadeira) declaração de Caetano Veloso ao manifestar seu apoio à candidatura Marina Silva à Presidência da República (“É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro”). Assim como qualquer um Caetano tem, sim, o direito de pensar o que quiser e o também democrático direito de expressar sua opinião, até quando o faz com a mesma grosseria que aponta no presidente. Anotem aí: esse episódio não ficará apenas no disse-me disse. Lula certamente vai reagir e também está em seu pleno direito democrático. Certamente a intenção de Caetano não era a de ganhar espaço na mídia que esse ele e seu indiscutível talento musical nem precisam mais, mas a bombástica declaração repercutiu e continuará repercutindo e dividindo opiniões, o que é saudável no também saudável jogo democrático. O mais engraçado é que esse agora falastrão Caetano era duramente criticado quando com preguiça baiana limitava-se a responder com um “é”, “pois é” ou um simples “sei não” as perguntas que lhe eram feitas. Ninguém gostava (virou até motivo de gozação) do tom monossilábico de Caetano como parece não estar gostado agora quando ele mostra não ter papas na língua. Essa discussão ainda renderá muito e acabará sem qualquer conclusão como, aliás, acontece sempre na política. Então vamos ficar assim: eles que são nordestinos que se entendam”. Se é que é possível.
CARIOCA IMPORTADO
NÃO É CARIOCA
Apesar da exagerada papagaiada em tudo (comportamento, figurinos, gesticulação) todo mundo gosta e se diverte com o personagem Zé Carioca, criado em 1942 nos estúdios Walt Disney para incrementar as relações com o Brasil na segunda guerra mundial. As novas gerações nem conhecem tanto assim um dois mais populares personagens de Disney, mas as mais velhas certamente divertiram-se bastante com o desenho animado (longa-metragem que tinha Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, como tema musical) e as histórias em quadrinhos. Zé Carioca era sem dúvida muito divertido, mas isso não o credencia a ser o mascote, como foi sugerido, da Olimpíada de 2016 que será realizada no Rio, se o Rio cumprir direitinho ( é aí que a porca torce o rabo) tudo o que prometeu. A Proposta de oficializar Zé Carioca como mascote certamente nem está sendo levada muito a sério, embora não se possa negar que ao lado do Pato Donald e, depois, dos Três Porquinhos e Panchito, Zé Carioca divulgou muito o Brasil. Afinal, o Rio tem artistas plásticos criativos e excelentes e não precisa importar um símbolo criado nos Estados Unidos e hoje completamente fora de forma. O Rio precisa criar seu próprio símbolo para a Olimpíada, mas não me venham com aqueles repetitivos bonecos de calça branca, camisa listrada e chapéu de palha. O Rio é muito mais do que isso. Merece mais do que um americanizado Zé Carioca.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
A COR DA VIDA
Vão começar os contrastes de fim de ano: a televisão fica mais iluminada com a queima de fogos transmitida de Copacabana e que reúne uma multidão para ver o céu mais colorido e permitir que pelo menos nessa noite todos sejam democraticamente iguais. Da janela do meu quarto o céu se ilumina com os fogos que explodem na chamada parte boa do morro do Salgueiro. São fogos menos intensos e menos coloridos do que os de Copacabana, mas a alegria de quem está por certamente tem a mesma intensidade. Nesse momento todos parecem estender a mão para a felicidade
A última noite do ano e o início do que todos esperam seja realmente o de um “novo tempo” é a mesma para a multidão aglomerada em Copacabana e das pessoas que da janela de seus luxuosos apartamentos ou das festas nos barracos. Todos vibram com a queima fogos na praia ou no morro. É como se estivessem queimando o passado e abrindo um novo clarão para o futuro. Na última noite do ano todo mundo é pelo menos uma vez por ano, igual: a alegria é a mesma; a esperança é total; a ressaca é igual para quem tenha bebido em excesso champanhe verdadeiro ou cerveja, cachaça, cidra (que horror!) ou vinho, se é que se pode chamar assim o de garrafão. Na praia, nas luxuosas e fartas coberturas ou no barrento chão do morro todos esperam e torcem para que o ano novo seja feliz, perfeito e a cada dia com menos e menores contrastes.
Queima de fogos nos morros não chega a ser nenhuma novidade: fogos de artifício, sem falar nas verdadeiras balas dos revólveres e metralhadoras, que sempre se perdem no corpo de alguém no asfalto, estouram o ano inteiro, seja para anunciar que o baile funk começará, que a nova remessa de drogas chegou ou que a polícia está subindo, como se isso adiantasse alguma coisa.
Mas nos minutos finais da última noite do ano a queima de fogos no morro ganha proporções diferentes. É como em qualquer parte do mundo um sonoro aviso que a hora é de juntar todas as esperanças. No pular, sim: sempre existe mais do que uma única esperança. Nessa noite de festa os fogos não assustam. Representam o barulhento clarão de uma mesma esperança. É um espetáculo alegre e de paz. Como deveria e poderia ser o ano inteiro.
Cachaça Especial
É dia disso, dia daquilo. Tem dia pra tudo no Brasil que ganhará mais uma, digamos, data festiva: 13 de setembro passará a ser o Dia Nacional da Cachaça, data aprovada pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara. A escolha do dia 13 do dia 13 de setembro é histórica: foi em 13 de setembro de 1661 que aconteceu uma revolta popular contra a colônia portuguesa que proibiu a comercialização do produto. O Brasil quer que a cachaça seja reconhecida internacionalmente como uma bebida autenticamente brasileira até porque é uma das preferências nacionais, o que leva a crer que não demora muito será criado também o Dia Nacional da Bunda que como se sabe é outra das preferências nacionais.
* Nesse quesito as brasileiras são imbatíveis
Mais documentários
Não se sabe ainda qual tem sido o comportamento na bilheteria, mas o bom resultado conquistado na mídia para o lançamento do documentário “Alô, alô Terezinha” que “viaja” pela carreira de Chacrinha deixou o diretor Nelson Hoineff tão entusiasmado que ele decidiu continuar dirigindo documentários e o próximo será sobre a carreira de Agnaldo Timóteo. Experiente diretor e excelente jornalista Hoineff quer deixar para a história a história de muitas vidas.
Só assim o Brasil deixará de ser um país sem memória
Brevê presidencial
Os críticos do presidente Lula (e ele tem muitos apesar de sua imensa popularidade) estão implicando agora com as viagens presidenciais e dizem que Lula já pode tirar brevê: até o final do ano totalizará 81 dias fora do Brasil período, escalonado, é verdade, em que visitou 30 países, quatro a mais das visitas contabilizadas no ano passado quando ficou 70 dias fora do Brasil. Nos próximos dias 15 e 16 o presidente viaja outra vez para participar do encontro Programa das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que será realizado em Roma, Itália. Em dezembro outra viagem dessa vez para Estoril, Portugal, onde acontecerá a Cúpula Ibero-Americana. O que não se pode negar é que Lula só viaja muito porque fez o Brasil ser respeitado e admirado no mundo.
* Como esse país nunca foi
Televisão é uma piada
Assistir televisão não é a melhor opção para uma tarde de domingo, mas é sem dúvida a mais procurada por um grande público que por falta de condições financeiras não tem como sair de casa. As opções de programação oferecidas pela televisão não são das melhores. Ainda assim não se pode negar que O Domingão do Faustão cumpre direitinho o objetivo finalidade de ser não mais do que apenas um passatempo dominical. O programa até tem aberto oportunidades para jovens talentos musicais geralmente condenados a tocar (ou fazer barulho) em uma garagem que é, aliás, o título do quadro. Outra proposta de Fausto Silva é a de revelar o novo humor do Brasil (o velho é sem dúvida o de Brasília) através do quadro “Quem chega lá”. Só pode ser humor a maneira de apresentar os candidatos: Faustão solta a voz e apresenta o concorrente do novo humor do Brasil dizendo que fulano tem muitos anos de carreira e se apresenta no teatro em clubes e em casas noturnas. É a primeira piada: como é que alguém pode ser novo depois de tantos anos de carreira nas costa?
Lata nova, vinho velho
Quem experimenta, estuda e pesquisa vinho (todo mundo acha que entende do assunto, mas são poucos os que realmente sabem das coisas) não deve andar nada entusiasmado com essa idéia de desengarrafar o vinho e transferi-lo para umas frias latinhas de alumínio como já fizeram (e descaracterizaram) com a cerveja.O bom vinho, quer sempre teve nos variados tipos de garrafas e nos rótulos dois de seus muitos prazeres está sendo enlatado, como se fosse uma sardinha ou salsicha qualquer. O primeiro (tomara que seja o único) é o tinto frisante Vino & Fashion (não poderia haver nome mais inapropriado para um vinho) que começou a ser comercializado inicialmente na Itália e está desembarcando por aqui importado pela Solex Brasil. A novidade foi “criada” pela Pico Maccario uma das mais renomadas vinícolas italianas. O Vino & Fashion é feito com a uvavitinifera lambrusco cultivada somente no interior da Itália. Os primeiros enlatados são tintos, mas os irmãos Vitalino e Pico Maccario, proprietários da vinícola, prometem lançar também latas de vinho branco. Os franceses devem estar com ódio.
Qual é mesmo a cor do talento?
Existe preconceito racial no Brasil? – essa é uma pergunta feita constantemente e para a qual a resposta é da boca pra fora um sonoro e hipócrita não. Mas não é o que o dia a dia nos mostra: estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada revela que o perfil do empregado que as empresas procuram é de homens (63%) e brancos (58%), números que descartam friamente os negros. Se não é preconceito é o que?
Outra manifestação preconceituosa é a que destina cotas para estudantes negros nas universidades. Não estão, como se finge acreditar, beneficiando os negros: estão passando a mão na cabeça deles para disfarçar as restrições que enfrentam diariamente.
Vejamos: o branco é mais bem colocado socialmente, mas isso não o faz um aluno mais preparado do que um estudante negro que mete a cara nos livros porque sabe que para poder continuar estudando é obrigado a ser um aluno exemplar. Assim mesmo enfrenta, como também mostra a pesquisa, maiores dificuldades para conquistar uma vaga no mercado de trabalho.
O estudo do Ipea revela que embora 9,134 milhões de pessoas tenham procurado (em 2007) emprego no país apenas 1,673 milhões estão aptas para ocupar as vagas disponíveis, mas o estudo não especifica a cor da pele dos que estão ou não estão aptos. Não é exatamente a aptidão que pesa mais na hora da escolha final. A cor da pele tranca com cadeados de preconceito as portas do mercado de trabalho aos negros.
Assim uma enorme fatia do povo é empurrada para trabalhos informais, que são “atividades de sobrevivência de populações marginalizadas no mercado de trabalho” gerando assim maior número de ambulantes e de “quebra galhos”, ou seja, de milhões de trabalhadores movimentando a economia informal.
O número de empregos formais gerados no Brasil precisaria ser 473% maior do que as 1.592 milhões ofertas. A conta simples: faltam mais de oito milhões de empregos para o sonho de criar 10 milhões de novas frentes de trabalho. Resumindo: a falta de empregos afeta os brancos e os negros, mas as poucas vagas limitam ainda mais a possibilidade do negro trabalhar com carteira e direitos trabalhistas. Estão tirando dos negros (e dos pobres) todos os direitos. Com preconceito enrustido fica pior. As coisas precisam ficar claras para todas as raças. Todas as pessoas.
As novas cores do turismo
Demorou, mas finalmente o Rio está abrindo os olhos para a importância do turismo gay, que já é uma realidade em vários países. Na recente parada gay (a 14ª) que coloriu a praia de Copacabana com as cores do arco-íris o prefeito Eduardo Paes anunciou a criação de uma coordenadoria de governo só para tratar das causas homossexuais a fim de garantir direitos e combater preconceitos e violência. “O Rio – diz o prefeito – é uma cidade aberta à diversidade. Economicamente o turismo gay é muito importante”. Torcendo o nariz os mais preconceituosos certamente dirão que a Prefeitura tem mais o que fazer. Tem sim, e por isso mesmo não pode se dar ao luxo de abrir mão da arrecadação que o turismo gay pode proporcionar a essa cidade maravilhosa que como diz o empresário Gilles Lascar (dono da boate gay Le Boy) “tem um clima perfeito, uma noite superinteressante, homens bonitos.” Incentivar o turismo GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) também é uma das preocupações da Associação Brasileira de Turismo. Não é para menos já que como diz o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc “as duas causas que mais avançam no mundo são a ambiental e a dos direitos civis e nós não seremos um planeta saudável com poluição e com preconceito”.
O Brasil da próxima Copa do Mundo e da Olimpíada não pode abrir mão de seu potencial turístico para atrair o público gay que mete a mão no bolso para gastar – e gastar bem. Não é obrigatório simpatizar, mas é obrigatório não desprezar as pessoas por sua opção sexual e afetiva. Economicamente o mercado não pode mais dispensar esse grande público consumidor, que se hoje é mais aceito e compreendido, em um passado não muito distante era obrigado a viver em guetos e marginalizado. Historicamente o Rio é uma cidade gay e o grande ponto de encontro era o antigo Largo do Rocio, hoje Praça da República. Nos anos 50 criou-se a bolsa de Copacabana em frente ao Copacabana Palace. Por conta das absurdas perseguições os grupos gays eram itinerantes: nos anos 60 e 70 fizeram da galeria Alaska, em Copacabana, seu ponto de encontro e foram caminhando até criar a bolsa de Ipanema (também conhecida como penteadeira) em volta da Rua Farme de Amoedo. Ainda vistos e recebidos com preconceito os gays conquistam cada vez mais espaço e são em todos os segmentos profissionais de grande talento e um público que não se pode simplesmente desconhecer desprezar. Principalmente quando se fala em turismo.
Televisão é uma piada
Assistir televisão não é a melhor opção para uma tarde de domingo, mas é sem dúvida a mais procurada por um grande público que por falta de condições financeiras não tem como sair de casa. As opções de programação oferecidas pela televisão não são das melhores. Ainda assim não se pode negar que O Domingão do Faustão cumpre direitinho o objetivo finalidade de ser não mais do que apenas um passatempo dominical. O programa até tem aberto oportunidades para jovens talentos musicais geralmente condenados a tocar (ou fazer barulho) em uma garagem que é, aliás, o título do quadro. Outra proposta de Fausto Silva é a de revelar o novo humor do Brasil (o velho é sem dúvida o de Brasília) através do quadro “Quem chega lá”. Só pode ser humor a maneira de apresentar os candidatos: Faustão solta a voz e apresenta o concorrente do novo humor do Brasil dizendo que fulano tem muitos anos de carreira e se apresenta no teatro em clubes e em casas noturnas. É a primeira piada: como é que alguém pode ser novo depois de tantos anos de carreira nas costa?
FALOU E DISSE
Do governador de São Paulo José Serra: “Tenho nervos de aço na política. Minha impaciência e com fila de elevador, banheiro de avião, coisas desse tipo”
* Isso porque nunca precisou ficar na fila do INSS ou dos hospitais públicos
A última noite do ano e o início do que todos esperam seja realmente o de um “novo tempo” é a mesma para a multidão aglomerada em Copacabana e das pessoas que da janela de seus luxuosos apartamentos ou das festas nos barracos. Todos vibram com a queima fogos na praia ou no morro. É como se estivessem queimando o passado e abrindo um novo clarão para o futuro. Na última noite do ano todo mundo é pelo menos uma vez por ano, igual: a alegria é a mesma; a esperança é total; a ressaca é igual para quem tenha bebido em excesso champanhe verdadeiro ou cerveja, cachaça, cidra (que horror!) ou vinho, se é que se pode chamar assim o de garrafão. Na praia, nas luxuosas e fartas coberturas ou no barrento chão do morro todos esperam e torcem para que o ano novo seja feliz, perfeito e a cada dia com menos e menores contrastes.
Queima de fogos nos morros não chega a ser nenhuma novidade: fogos de artifício, sem falar nas verdadeiras balas dos revólveres e metralhadoras, que sempre se perdem no corpo de alguém no asfalto, estouram o ano inteiro, seja para anunciar que o baile funk começará, que a nova remessa de drogas chegou ou que a polícia está subindo, como se isso adiantasse alguma coisa.
Mas nos minutos finais da última noite do ano a queima de fogos no morro ganha proporções diferentes. É como em qualquer parte do mundo um sonoro aviso que a hora é de juntar todas as esperanças. No pular, sim: sempre existe mais do que uma única esperança. Nessa noite de festa os fogos não assustam. Representam o barulhento clarão de uma mesma esperança. É um espetáculo alegre e de paz. Como deveria e poderia ser o ano inteiro.
Cachaça Especial
É dia disso, dia daquilo. Tem dia pra tudo no Brasil que ganhará mais uma, digamos, data festiva: 13 de setembro passará a ser o Dia Nacional da Cachaça, data aprovada pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara. A escolha do dia 13 do dia 13 de setembro é histórica: foi em 13 de setembro de 1661 que aconteceu uma revolta popular contra a colônia portuguesa que proibiu a comercialização do produto. O Brasil quer que a cachaça seja reconhecida internacionalmente como uma bebida autenticamente brasileira até porque é uma das preferências nacionais, o que leva a crer que não demora muito será criado também o Dia Nacional da Bunda que como se sabe é outra das preferências nacionais.
* Nesse quesito as brasileiras são imbatíveis
Mais documentários
Não se sabe ainda qual tem sido o comportamento na bilheteria, mas o bom resultado conquistado na mídia para o lançamento do documentário “Alô, alô Terezinha” que “viaja” pela carreira de Chacrinha deixou o diretor Nelson Hoineff tão entusiasmado que ele decidiu continuar dirigindo documentários e o próximo será sobre a carreira de Agnaldo Timóteo. Experiente diretor e excelente jornalista Hoineff quer deixar para a história a história de muitas vidas.
Só assim o Brasil deixará de ser um país sem memória
Brevê presidencial
Os críticos do presidente Lula (e ele tem muitos apesar de sua imensa popularidade) estão implicando agora com as viagens presidenciais e dizem que Lula já pode tirar brevê: até o final do ano totalizará 81 dias fora do Brasil período, escalonado, é verdade, em que visitou 30 países, quatro a mais das visitas contabilizadas no ano passado quando ficou 70 dias fora do Brasil. Nos próximos dias 15 e 16 o presidente viaja outra vez para participar do encontro Programa das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que será realizado em Roma, Itália. Em dezembro outra viagem dessa vez para Estoril, Portugal, onde acontecerá a Cúpula Ibero-Americana. O que não se pode negar é que Lula só viaja muito porque fez o Brasil ser respeitado e admirado no mundo.
* Como esse país nunca foi
Televisão é uma piada
Assistir televisão não é a melhor opção para uma tarde de domingo, mas é sem dúvida a mais procurada por um grande público que por falta de condições financeiras não tem como sair de casa. As opções de programação oferecidas pela televisão não são das melhores. Ainda assim não se pode negar que O Domingão do Faustão cumpre direitinho o objetivo finalidade de ser não mais do que apenas um passatempo dominical. O programa até tem aberto oportunidades para jovens talentos musicais geralmente condenados a tocar (ou fazer barulho) em uma garagem que é, aliás, o título do quadro. Outra proposta de Fausto Silva é a de revelar o novo humor do Brasil (o velho é sem dúvida o de Brasília) através do quadro “Quem chega lá”. Só pode ser humor a maneira de apresentar os candidatos: Faustão solta a voz e apresenta o concorrente do novo humor do Brasil dizendo que fulano tem muitos anos de carreira e se apresenta no teatro em clubes e em casas noturnas. É a primeira piada: como é que alguém pode ser novo depois de tantos anos de carreira nas costa?
Lata nova, vinho velho
Quem experimenta, estuda e pesquisa vinho (todo mundo acha que entende do assunto, mas são poucos os que realmente sabem das coisas) não deve andar nada entusiasmado com essa idéia de desengarrafar o vinho e transferi-lo para umas frias latinhas de alumínio como já fizeram (e descaracterizaram) com a cerveja.O bom vinho, quer sempre teve nos variados tipos de garrafas e nos rótulos dois de seus muitos prazeres está sendo enlatado, como se fosse uma sardinha ou salsicha qualquer. O primeiro (tomara que seja o único) é o tinto frisante Vino & Fashion (não poderia haver nome mais inapropriado para um vinho) que começou a ser comercializado inicialmente na Itália e está desembarcando por aqui importado pela Solex Brasil. A novidade foi “criada” pela Pico Maccario uma das mais renomadas vinícolas italianas. O Vino & Fashion é feito com a uvavitinifera lambrusco cultivada somente no interior da Itália. Os primeiros enlatados são tintos, mas os irmãos Vitalino e Pico Maccario, proprietários da vinícola, prometem lançar também latas de vinho branco. Os franceses devem estar com ódio.
Qual é mesmo a cor do talento?
Existe preconceito racial no Brasil? – essa é uma pergunta feita constantemente e para a qual a resposta é da boca pra fora um sonoro e hipócrita não. Mas não é o que o dia a dia nos mostra: estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada revela que o perfil do empregado que as empresas procuram é de homens (63%) e brancos (58%), números que descartam friamente os negros. Se não é preconceito é o que?
Outra manifestação preconceituosa é a que destina cotas para estudantes negros nas universidades. Não estão, como se finge acreditar, beneficiando os negros: estão passando a mão na cabeça deles para disfarçar as restrições que enfrentam diariamente.
Vejamos: o branco é mais bem colocado socialmente, mas isso não o faz um aluno mais preparado do que um estudante negro que mete a cara nos livros porque sabe que para poder continuar estudando é obrigado a ser um aluno exemplar. Assim mesmo enfrenta, como também mostra a pesquisa, maiores dificuldades para conquistar uma vaga no mercado de trabalho.
O estudo do Ipea revela que embora 9,134 milhões de pessoas tenham procurado (em 2007) emprego no país apenas 1,673 milhões estão aptas para ocupar as vagas disponíveis, mas o estudo não especifica a cor da pele dos que estão ou não estão aptos. Não é exatamente a aptidão que pesa mais na hora da escolha final. A cor da pele tranca com cadeados de preconceito as portas do mercado de trabalho aos negros.
Assim uma enorme fatia do povo é empurrada para trabalhos informais, que são “atividades de sobrevivência de populações marginalizadas no mercado de trabalho” gerando assim maior número de ambulantes e de “quebra galhos”, ou seja, de milhões de trabalhadores movimentando a economia informal.
O número de empregos formais gerados no Brasil precisaria ser 473% maior do que as 1.592 milhões ofertas. A conta simples: faltam mais de oito milhões de empregos para o sonho de criar 10 milhões de novas frentes de trabalho. Resumindo: a falta de empregos afeta os brancos e os negros, mas as poucas vagas limitam ainda mais a possibilidade do negro trabalhar com carteira e direitos trabalhistas. Estão tirando dos negros (e dos pobres) todos os direitos. Com preconceito enrustido fica pior. As coisas precisam ficar claras para todas as raças. Todas as pessoas.
As novas cores do turismo
Demorou, mas finalmente o Rio está abrindo os olhos para a importância do turismo gay, que já é uma realidade em vários países. Na recente parada gay (a 14ª) que coloriu a praia de Copacabana com as cores do arco-íris o prefeito Eduardo Paes anunciou a criação de uma coordenadoria de governo só para tratar das causas homossexuais a fim de garantir direitos e combater preconceitos e violência. “O Rio – diz o prefeito – é uma cidade aberta à diversidade. Economicamente o turismo gay é muito importante”. Torcendo o nariz os mais preconceituosos certamente dirão que a Prefeitura tem mais o que fazer. Tem sim, e por isso mesmo não pode se dar ao luxo de abrir mão da arrecadação que o turismo gay pode proporcionar a essa cidade maravilhosa que como diz o empresário Gilles Lascar (dono da boate gay Le Boy) “tem um clima perfeito, uma noite superinteressante, homens bonitos.” Incentivar o turismo GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) também é uma das preocupações da Associação Brasileira de Turismo. Não é para menos já que como diz o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc “as duas causas que mais avançam no mundo são a ambiental e a dos direitos civis e nós não seremos um planeta saudável com poluição e com preconceito”.
O Brasil da próxima Copa do Mundo e da Olimpíada não pode abrir mão de seu potencial turístico para atrair o público gay que mete a mão no bolso para gastar – e gastar bem. Não é obrigatório simpatizar, mas é obrigatório não desprezar as pessoas por sua opção sexual e afetiva. Economicamente o mercado não pode mais dispensar esse grande público consumidor, que se hoje é mais aceito e compreendido, em um passado não muito distante era obrigado a viver em guetos e marginalizado. Historicamente o Rio é uma cidade gay e o grande ponto de encontro era o antigo Largo do Rocio, hoje Praça da República. Nos anos 50 criou-se a bolsa de Copacabana em frente ao Copacabana Palace. Por conta das absurdas perseguições os grupos gays eram itinerantes: nos anos 60 e 70 fizeram da galeria Alaska, em Copacabana, seu ponto de encontro e foram caminhando até criar a bolsa de Ipanema (também conhecida como penteadeira) em volta da Rua Farme de Amoedo. Ainda vistos e recebidos com preconceito os gays conquistam cada vez mais espaço e são em todos os segmentos profissionais de grande talento e um público que não se pode simplesmente desconhecer desprezar. Principalmente quando se fala em turismo.
Televisão é uma piada
Assistir televisão não é a melhor opção para uma tarde de domingo, mas é sem dúvida a mais procurada por um grande público que por falta de condições financeiras não tem como sair de casa. As opções de programação oferecidas pela televisão não são das melhores. Ainda assim não se pode negar que O Domingão do Faustão cumpre direitinho o objetivo finalidade de ser não mais do que apenas um passatempo dominical. O programa até tem aberto oportunidades para jovens talentos musicais geralmente condenados a tocar (ou fazer barulho) em uma garagem que é, aliás, o título do quadro. Outra proposta de Fausto Silva é a de revelar o novo humor do Brasil (o velho é sem dúvida o de Brasília) através do quadro “Quem chega lá”. Só pode ser humor a maneira de apresentar os candidatos: Faustão solta a voz e apresenta o concorrente do novo humor do Brasil dizendo que fulano tem muitos anos de carreira e se apresenta no teatro em clubes e em casas noturnas. É a primeira piada: como é que alguém pode ser novo depois de tantos anos de carreira nas costa?
FALOU E DISSE
Do governador de São Paulo José Serra: “Tenho nervos de aço na política. Minha impaciência e com fila de elevador, banheiro de avião, coisas desse tipo”
* Isso porque nunca precisou ficar na fila do INSS ou dos hospitais públicos
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